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África Nigéria legislativas Presidenciais Boko Haram

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Eleições nigerianas assombradas por ataques e problemas técnicos

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O presidente cessante Goodluck Jonathan na mesa de voto em Otuoke 28/03/2015 AFP PHOTO/STRINGER

As eleições legislativas e presidenciais nigerianas foram prolongadas até este domingo devido a problemas técnicos nalgumas mesas de voto. O grupo Boko Haram terá causado a morte a pelos menos 30 pessoas na véspera e durante o acto eleitoral deste sábado. 


Eleições conturbadas e de alto risco estas que opõem o presidente cessante Goodluck Jonathan ao antigo presidente e general Muhammadu Buhari. Os dois candidatos disputam uma eleição renhida que já ficou marcada pela violência islamista mas também por falhas técnicas com as eleições a serem suspensas nalgumas mesas devido au mau funcionamento do voto electrónico.

Este domingo será retomada a votação nas mesas onde foram registados esses mesmos problemas e a comissão eleitoral independente (Inec) prevê inclusive a utilização dos métodos tradicionais, ou seja, manuais em vez dos leitores biométricos.

De referir que o próprio presidente cessante não conseguiu inscrever-se com a nova tecnologia e teve de adoptar o método manual após meia hora de espera na sua cidade natal em Otuoke, no Estado de Bayelsa no sul da Nigéria.

Mas mais do que os problemas técnicos, foram as violências que a Boko Haram terá perpetrado que assombraram este pleito. A seita islamista terá decapitado 23 pessoas no Estado de Borno, do nordeste do país, na sexta-feira à noite, véspera das eleições. Durante o escrutínio, pelo menos 7 pessoas foram mortas a tiro em diferentes localidades do nordeste, a maior parte enquanto esperavam nas filas de voto.

Os actos ainda não foram reivindicados mas tudo indica que a seita islamista Boko Haram estará a fazer todos os possíveis para impedir a realização do escrutínio tal como tinha anunciado o seu líder Abubakar Shekau. Apesar da campanha de intimidação, os cerca de 69 milhões de eleitores, dos cerca de 173 milhões de habitantes do país mais populoso de África, foram chamados às urnas.

De referir que ainda durante a campanha eleitoral terão morrido mais de 60 pessoas por via das violências políticas e inter-partidárias, segundo a comissão nigeriana dos direitos humanos. Efectivamente, além do terror e do medo semeados pela Boko Haram, teme-se a repetição do cenário de violências pó-eleitorais que se verificou em 2011.

O padre nigeriano Simon Ayogu, capelão dos africanos no Patriarcado de LIsboa, considera que é provável que hajam confrontos pós-eleitorais dado que, de parte a parte, foram feitas ameaças.

Padre Simon Ayogu - capelão dos africanos no Patriarcado de Lisboa 28/03/2015 Ouvir

Felipe Pathé Duarte, porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, considera que independentemente do resultado eleitoral o mais certo é que continue o braço-de-ferro entre o governo central e a Boko Haram.

Felipe Pathé Duarte - porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo 28/03/2015 Ouvir