rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Angola Religião Perseguições religiosas Massacre Violências MPLA UNITA Oposição África Lusófona

Publicado em • Modificado em

Angola : Associação Mãos Livres vai defender "Kalupeteka"

media
Balança da Justiça DR

David Mendes, advogado da Associação Mãos Livres, pretende saber onde está, em que condições e de que crime é acusado o líder religioso Julino Kalupeteka, detido sábado no Huambo, e pediu uma audiência à Procuradoria Geral da República nessa província para esclarecer estes dados e preparar a defesa do arguido. 


Dois elementos da Associação de Defesa de Direitos Humanos Mãos Livres, estão no Huambo, para investigar o paradeiro de Julino Kalupeteca, líder da seita religiosa "A Luz do Mundo" detido no sábado (18 de Abril) e até ao momento ainda não localizado.

David Mendes advogado senior desta Associação de Defesa de Direitos Humanos, afirma que a investida policial de quinta-feira passada para tentar prendê-lo, ocorreu em quatro províncias angolanas : Huambo, Bié, Kwanza Sul e na região fronteiriça entre o Huambo e Benguela, bastiões desta seita, proíbida desde 2014.

A perseguição a "Kalupeteka" causou oficialmente a morte de 9 agentes da polícia e de 13 fiéis, mas a UNITA principal partido da oposição denuncia mais de 700 mortos, enterrados em valas comuns.

David Mendes considera "lamentável que o Presidente José Eduardo dos Santos tenha considerado a seita uma ameaça à paz e à unidade nacional, antes de os orgãos judiciais se pronunciarem, dado que até agora nada permite determinar que a seita de Kalupeka fez uma ameaça à paz" e afirma ainda que  as igrejas que não estão de acordo com a filosofia propagandista do Estado, que não são uma rerva eleitoral do Estado/partido MPLA são tidas como contrárias à lei".

David Mendes - Associação Mãos Livres 23/04/2015 Ouvir

Noutro teor foi de novo hoje adiado para 14 de Maio o julgamento do activista de defesa de direitos humanos Rafael Marques, de que David Mendes é também um dos advogados.

24 acusações de "difamação e denúncia caluniosa" pendem sobre Rafael Marques, num processo intentado por sete generais angolanos, na sequência da publicação em 2011 do seu livro "Diamantes de Sangue: tortura e corrupção em Angola", denunciando graves violações de direitos humanos na província diamantífera da Lunda Norte por empresas de segurança, detidas por esses generais. 

Rafael Marques que aguardava esta tribuna para que as testemunhas pudessem revelar a verdade, refere que estas foram mais de uma vez impedidas de fazê-lo e afirma que as partes chegaram hoje a acordo para oadiamento do julgamento (depois de inicialmente previsto para 24 de Março e em seguida para hoje 23 Abril) e espera que até lá possa haver um "entendimento extrajudicial amigável...com repercussões satisfatórias nas Lundas, de onde a empresa privada de segurança Teleservice já se retirou" e admite "a boa vontade das partes em dialogar, num processo tão complexo de que finalmente se vê uma luz ao fundo do túnel".

Rafael Marques, activista de Direitos Humanos 23/04/2015 Ouvir