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Angola : Violações de Direitos Humanos em destaque

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Capa do livro do jornalista angolano, Rafael Marques, "Diamantes de sangue" DR

O activista angolano Rafael Marques foi hoje (14/05) interrogado em Luanda no quadro do processo movido por sete generais que o acusam de "difamação e denúncia caluniosa", já em Cabinda foram ontem libertados o dr. Arão Tempo, presidente da Ordem dos Advogados no enclave e o seu cliente Manuel Biongo.


Na base deste processo (já duas vezes adiado) está o livro do jornalista e activista angolano Rafael Marques "Diamantes de Sangue : tortura e corrupção em Angola", publicado em 2011 pela editora portuguesa Tinta da China, no qual são denunciadas graves violações de Direitos Humanos, cometidas por empresas privadas de segurança na região diamantífera das Lundas.

Rafael Marques acusa de cumplicidade sete generais, detentores dessas mesmas empresas, entre os quais o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Manuel Helder Vieira Dias "Kopelipa", estes por sua vez reclamam indemnizações no valor de 1,2 milhões de dólares.

Nenhum dos autores da acusação compareceu hoje no Tribunal, onde apenas foi ouvido o arguido e o director de uma das empresas acusadas no livro, os generais se-lo-ão dia 21 de Maio e no dia seguinte, serão interrogadas as testemunhas arroladas por Rafael Marques.   

Rafael Marques 14/05/2015 Ouvir

Salvador Fragoso, uma das testemunhas de Rafael Marques para relatar a veracidade dos factos denunciados no seu livro "Diamantes de Sangue : tortura e corrupção em Angola", afirma que "apesar das ameaças não teme pela sua vida".

Salvador Fragoso, familiar de uma vítima 14/05/2015 Ouvir

No Enclave de Cabinda foram ontem (13/03) libertadas duas das três pessoas detidas desde 14 de Março, na sequência da convocação de uma manifestação - abortada pela polícia - para denunciar a violação de Direitos Humanos em Cabinda.

Estão em liberdade condicional em Cabinda desde ontem (14/05) o dr. Arão Bula Tempo, presidente da Ordem dos Advogados em Cabinda e o seu cliente, o empresário Manuel Biongo, detidos em Massabi, perto da fronteira com o Congo Brazzaville e indiciados de colaboração com países estrangeiros, para desestabilisar Angola.

Já o activista Marcos Mavungo, igualmente detido nesse mesmo dia em Cabinda quando se dirigia à igreja para assistir à missa e indiciado de rebelião, "continua detido pois a Procuradoria ordenou diligências processuais que não foram ainda cumpridas, tal como a rusga feita em sua casa que só hoje ocorreu", como refere Francisco Luemba, advogado dos três arguidos.  

Francisco Luemba 14/05/2015 Ouvir