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ONU Mali Ataques

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Operação contra comando no Mali mata 12, incluindo 5 funcionários da ONU

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Força de paz da ONU em patrulha no Mali, 23/07/15. REUTERS/Adama Diarra

O comando armado que mantinha várias pessoas como reféns em um hotel em Sevare, no centro de Mali, foi neutralizado na madrugada deste sábado (8) pelas forças de segurança, numa operação que deixou pelo menos doze mortos. A ONU confirmou cinco funcionários entre as vítimas fatais.


Cinco funcionários que trabalhavam para empresas subcontratadas da Missão das Nações Unidas no Mali (Minusma) - um malinês, um nepalês, um sul-africano e dois ucranianos - foram mortos na operação, informou neste sábado a missão da ONU. A Minusma também relatou que há quatro sobreviventes estrangeiros: dois sul-africanos, um russo e um ucraniano.

Paris afirmou que verifica a suposta presença de seus cidadãos no hotel ou entre as vítimas, já que fontes militares afirmaram que havia um francês entre os cinco estrangeiros registrados no hotel. Os outros seriam três sul-africanos e um ucraniano, que conseguiu escapar ainda na sexta-feira. Uma fonte diplomática russa no Mali confirmou que um russo, funcionário de uma companhia aérea, também estava no hotel. Ele teria ajudado as forças malinesas com informações de dentro do hotel.

Negociação breve

Na sexta-feira, por volta das 7h no horário local, o grupo armado entrou o hotel 'Le Byblos' de Sevare, onde se hospeda parte da equipe da Minusma. De acordo com a Minusma, o comando armado havia atacado primeiramente uma "base militar malinesa" em Sevare e, repelidos pelas forças de segurança, "se esconderam no hotel".

A intervenção das forças especiais permitiu libertar vários reféns, incluindo "cinco estrangeiros, que foram enviados para (a capital) Bamako", mais de 620 km ao sul de Sevare. Assim que foi confirmado o ataque, as forças malinesas isolaram a área, mas as tentativas de diálogo foram complicadas por conta da presença de reféns. Na noite de sexta-feira, houve trocas de tiros e, às 23h, as forças de segurança, auxiliadas por soldados estrangeiros, decidiram invadir o local.

Zona de conflito

Nenhum grupo reivindicou o ataque, que acontece num momento em que o Mali luta para conter a retomada da violência jihadista, dois anos depois de uma operação liderada pela França que expulsou grupos extremistas ligados à Al-Qaeda. Eles haviam se apoderado da região de Mopti (capital distrital) em março de 2012.

Sevare fica a 12 km de Mopti e é uma cidade estratégica, onde está localizado o mais importante aeroporto da região, utilizado não só pelo exército do Mali, mas pelas operações da ONU e do exército francês. Ainda hoje, mais de mil soldados franceses permanecem no norte do Mali como parte dos esforços anti-terroristas regionais.

Nos últimos anos, militantes islamitas sequestraram diversos estrangeiros no Mali - dois deles ainda estão em poder da Aqmi, facção da Al-Qaeda no norte da África. O ataque ao hotel é o terceiro nesta semana.
Com informações da AFP