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Credores internacionais fecham as portas para Moçambique

A economia de Moçambique passa por uma fase delicada, depois que veio à tona o escândalo da “dívida escondida”. Em represália, importantes credores institucionais fecharam, temporariamente, as portas ao país africano.

Fábia Belém, correspondente da RFI em Maputo

Há duas semanas, o Fundo Monetário Internacional (FMI) descobriu que o governo moçambicano não havia informado que era o fiador de empréstimos feitos por empresas estatais em dois bancos - um russo e um suíço. Valor: US$ 1,4 bilhão, ou seja, quase 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A resposta do FMI foi rápida: suspendeu o desembolso da segunda parcela de um empréstimo ao país.

O cenário econômico se agravou quando o Banco Mundial decidiu interromper pagamentos que serviriam para apoiar a execução do orçamento geral do Estado. Ontem, foi a vez do governo britânico, que também interrompeu a cooperação financeira para Moçambique.

Ocultação da dívida

Na semana passada, o primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, foi a Washington e, em uma conversa com representantes do FMI, admitiu o endividamento.

Os empréstimos foram feitos durante o governo do ex-presidente Armando Guebuza, que, como o atual premiê, também é do partido Frelimo. A legenda está no poder desde 1975, ano da independência de Moçambique.

Em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (28), o primeiro-ministro atribuiu a ocultação da dívida à situação de tensão política e militar na qual vive Moçambique nos últimos anos. A decisão, segundo ele, foi tomada como medida de segurança.

O governo espera que as empresas que se beneficiaram do dinheiro paguem as dívidas. Só se isso não acontecer, paga o Estado.

Caso inspira desconfiança no país

O impacto imediato é para a reputação de Moçambique diante dos parceiros internacionais. Em um comunicado, o governo britânico disse que as dívidas não informadas inspiram desconfiança no país.

O governo moçambicano está ciente de que o FMI, o Banco Mundial e Londres aguardam informações detalhadas e consistentes sobre os empréstimos. Somente depois de uma avaliação da sustentabilidade das dívidas é que os parceiros vão decidir quais os próximos passos.

A curto prazo, as consequências podem ser graves. Moçambique depende do dinheiro dos parceiros internacionais para pagar, por exemplo, os gastos com escolas, hospitais, projetos sociais; até o salário de funcionários públicos.

Moçambicanos estão revoltados

Para a Assembleia da República, é consenso que o governo precisa dar explicações aos parlamentares. A bancada da Renamo, maior partido de oposição, exigiu que os autores das dívidas sejam responsabilizados.

Organizações da sociedade civil também manifestaram indignação. Eles exigem que o governo faça uma auditoria da dívida, que o Parlamento crie uma comissão de inquérito e a Procuradoria-Geral da República investigue o caso e responsabilize administrativa e criminalmente os envolvidos. 

Nas redes sociais, circulam mensagens anônimas encorajando os moçambicanos a saírem às ruas hoje para protestar contra a situação econômica e política do país.

A polícia moçambicana chegou a dizer que está pronta para reprimir o que chamou de “marcha ilegal”, alegando que a mobilização pode colocar em risco a ordem pública. Nesta quinta-feira, a segurança foi reforçada nas principais avenidas da capital, Maputo.

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