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Mulheres de Angola lideravam tráfico de escravos para o Brasil

Duas importantes personalidades femininas de Angola tiveram influência decisiva na organização do tráfico de escravos para o Brasil. Nesta reportagem, vamos saber quem eram e que papel de poder excerciam em suas sociedades.

No mês de maio comemora-se a abolição da escravidão, cujo tráfico principal seguiu a rota entre Angola e Brasil.

O professor de Antropologia Carlos Serrano, que é  angolano-brasileiro, descreve  os perfis destas duas mulheres, comerciantes que comandavam seus negócios com mãos de ferro, ressaltando os tipos de relacionamento que tinham com as respectivas sociedades da época e com poder colonial.

Ana de Souza, a rainha Ginga

Ana de Souza era chefe tradicional com um poder equivalente a rainha, embora historiadores africanos considerem que o Estado que ela dirigia não seria uma monarquia, no sentido europeu do termo. Mas ficou conhecida por ter  o nome de rainha Nzinga (ou Ginga) e também pela sua alta capacidade de negociação, tanto com os portugueses como com os holandeses que ocuparam Angola durante sete anos, na sequência de sua ocupação em partes do nordeste brasileiro.

Ana de Souza viveu entre os século XVI e  XVII, durante os quais foi uma das maiores, senão a maior, fornecedora de escravos para o Brasil. Foi também grande guerreira e conquistou o poder pelas armas. "Ela conseguiu o poder matando o seu irmão, para conseguir uma aproximação com os portugueses para traficar os escravos", explica Carlos Serrano.

Ana Joaquina, comerciante milionária

Ana Joaquina, comerciante mestiça de Luanda entre os séculos XVIII e XIX, intermediária na exportação de escravos para as fazendas do Brasil. Juntou uma fortuna enorme, a ponto de construir na capital angolana um palácio que, totalmente reformado, ainda existe hoje no centro de Luanda. "Ela pertenceria, talvez,  a uma elite 'criolizada' na região de Luanda e fazia parte das elites locais que traficavam escravos para o interior; era de origem de uma família de "negros calçados", que tinham o roteiro para o interior de Angola, em cujo corredor havia o tráfico. Como ela fazia parte dessa elite, teve possibilidade de desencadear esse tipo de tráfico", observa o professor.

A lenda diz que ambas estiveram no Brasil. Possível no caso de Ana Joaquina, muito improvável no da rainha Nzinga.

 

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