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Músicos viram combatentes da paz no Mali, país assolado pelo terrorismo e pela violência

Por Augusto Pinheiro

A cena musical como espaço de protesto e de resistência em meio ao caos político e social que reina no Mali, país do oeste africano, é tema de reportagem da revista francesa "Le Point" desta semana.

A publicação lembra que, desde o golpe de Estado de 2012, a instabilidade e o terrorismo assolam a nação, uma das mais pobres do planeta.

Mas, em meio a tanta desesperança e desolação, a música aparece com um oásis no deserto. Festivais, novas casas de show e os tradicionais "maquis", mistura de restaurante e boate ao ar livre, proliferam na capital, Bamako.

O mercado fonográfico também ganha fôlego. O grupo Touareg Tamikrest acaba de gravar seu último CD, chamado "Kidal", no mítico estúdio Bogolan - por onde já passaram nomes como Salif Keita, conhecido como a voz de ouro da Africa, e o músico nigeriano Fela Kuti, criador do afrobeat (ritmo que combina música yorubá, jazz e funk).

O maliano Toumani Diabaté, mestre do kora, instrumento de 21 cordas típico da África ocidental, criou um festival para atrair artistas do mundo inteiro e promover a cena local. Trata-se do Akoustik Bamako, que conta com o apoio do Instituto Francês (o Mali foi colônia da França até 1960).

Pelo evento já passaram artistas como o britânico Damon Albarn, vocalista da banda Blur e um dos criadores do grupo virtual Gorillaz, e o francês Matthieu Chedid, que lançou na ocasião seu novo álbum.

"Música é a voz de Deus"

O filho do criador do festival, Sidiki Diabaré, é a nova coqueluche do Mali, diz a "Le Point". Ele lota estádios com seus shows, e suas canções enchem as pistas de dança. A cantora Fatoumata Diawara, que encarna a artista rebelde do filme "Timbuktu", disse à revista que "a música é a voz de Deus para os malianos". Moradora de Paris, ela viaja frequentemente ao Mali com a cantora marroquina Hindi Zahra para apresentações no país.

O povo dongo, que conta com cerca de 200 mil pessoas e vive, em sua maioria, em aldeias nas escarpas da montanha Bandiagara, ao leste do rio Níger, também ganhou um festival na capital. O organizador, Amassagou Dougnon, explicou à Le Point que, como poucas pessoas visitam o "país dos dongos", a solução foi criar o evento em Bamako para divulgar a música deles.

A ideia é convidar também grupos e cantores de outras etnias como uma forma de integração e uma mensagem de paz. O rapper Master Soumy, em declaração à revista francesa, disse que ele é, ao mesmo tempo, dongo, sarakolé, malinké, peul, touareg e bozo, em referência às várias etnias do país, muitas vezes envolvidas em conflitos entre elas.

E completa: "Sou um artista maliano, um rapper ativista e trabalho pela coesão cultural do meu país. O Mali está de pé, nós devemos aterrorizar o terrorismo, e a cultura é um meio ideal. Nós malianos não nos deixamos intimidar. Eu peço às pessoas que vão aos meus shows a colaborar com os policiais e os militares em prol da segurança".

No mês passado, um atentado em uma caserna deixou mais de 70 mortos e o país em três dias de luto nacional.

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