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“Paredes da minha casa tremeram”, diz repórter da RFI na Somália

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Vítimas do atentado com caminhão-bomba no centro de Mogadíscio, o mais mortal na história da Somália, que deixou mais de 250 mortos REUTERS/Feisal Omar

O repórter da redação inglesa da RFI, Mohamed Sheik Nor descreve as cenas de horror do duplo atentado a bomba ocorrido no sábado (14) à noite em Mogadíscio, que deixou pelo menos 276 mortos e mais de 300 feridos.


O ataque, o pior da história do país, aconteceu depois da explosão de um caminhão estacionado em frente a um hotel no bairro K5, uma área bastante frequentada da capital, que abriga prédios oficiais, hotéis e restaurantes. “É a explosão mais forte que já ocorreu em Mogasdicio. Eu faço reportagens há dez anos aqui e nunca testemunhei algo parecido. A deflagração fez as paredes da minha casa tremerem e derrubou uma parte do teto”, disse o correspondente da RFI.

“Depois da explosão, peguei minha filha mais nova e fugimos, cobertos de poeira. Mais tarde, fui perto do local do atentado, ao lado do hotel Safari, que é muito conhecido, e vi pedaços de membros espalhados por todos os lados”, relata o repórter. “Fui incapaz de ajudar as vítimas, que gritavam”, declarou. “A cena foi terrível, com corpos dilacerados por todos os lados. Quanto mais as operações de resgate avançavam, mais corpos apareciam debaixo dos escombros.”

Segundo o diretor do hospital Medina, diz o correspondente, pelo menos 218 cadáveres foram levados para o estabelecimento, e inúmeras famílias estão sem notícias de seus parentes e amigos. “É simplesmente impossível identificar alguns corpos”, declarou.

Torre Eiffel apagada em homenagem às vítimas

A Torre Eiffel, o monumento mais emblemático de Paris, apagará suas luzes na noite desta segunda-feira (14) em homenagem às vítimas do atentado de Mogadíscio, na Somália.

A informação foi dada pela prefeita da capital francesa no Twitter. "Vamos apagar @LaTourEiffel à meia-noite em homenagem às vítimas do atentado de #Mogadiscio", escreveu Anne Hidalgo.

O ataque ainda não foi reivindicado, mas as autoridades e especialistas apontam para islamitas somalis shebab, afiliados à Al-Qaeda, que frequentemente realizam atentados suicidas em Mogadíscio e seus arredores.