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África Zimbábue Robert Mugabe Ditadura

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Forças armadas ocupam o Zimbábue e Mugabe pode ser afastado

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Veículos militares na periferia de Harare REUTERS/Philimon Bulawayo

As forças armadas do Zimbabwe ocuparam as ruas do país na manhã desta quarta-feira (15). A tomada do poder, segundo os militares, que negam um golpe de Estado, visa “os criminosos que gravitam em torno do presidente Robert Mugabe”.


De acordo com os militares, o ditador de 93 anos e sua família estão são e salvos. Soldados e veículos blindados bloquearam as estradas de acesso aos principais prédios do governo, ao Parlamento e aos tribunais no centro de Harare, a capital do país.

Diante da situação política instável, a população correu aos bancos para retirar dinheiro e filas já se formavam pela manhã em frente aos estabelecimentos.

“Nossos alvos são os bandidos em torno de Mugabe que cometem crimes que geram sofrimento econômico e social para o país. Queremos que eles sejam julgados”, declarou o general do exército SB Moyo, durante um discurso em rede nacional.

De acordo com ele, o objetivo é que a situação “volte ao normal”. Depois do discurso, os soldados tomaram a sede da ZBC, a TV pública do país, aumentando os rumores de um golpe de Estado.

Ministro preso

Os militares prenderam o ministro das Finanças, Ignatius Chombo, um membro da chamada geração 40 (G40), representantes mais jovens do partido Zanu-PF, de Mugabe, que apoiam a mulher do do ditador, Grace. Conhecida pelos gastos excessivos enquanto a população passa fome, ela pretende substituir seu marido, que está há 30 anos no cargo, e foi primeiro-ministro entre 1980, quando o país se tornou independente, e 1987.

O Zimbabwe vive um momento de tensão desde segunda-feira (13). O chefe do estado-maior do exército, o general Constantino Chiwenga, ameaçou explicitamente o partido de Mugabe. Os militares foram contra o expurgo do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, por deslealdade. Ele era o provável sucessor de Mugabe e tem o apoio dos militares.

Oposição pede paz

O principal partido de oposição, o Movimento para a Reforma Democrática, pediu um retorno pacífico à democracia constitucional, dizendo esperar que a “intervenção militar termine com o estabelecimento de uma nação estável, democrática e progressista”.