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Novo presidente angolano afasta filhos de José Eduardo dos Santos

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João Lourenço: demitiu a mulher mais rica da África. PEDRO PARENTE/LUSA

O novo presidente de Angola, João Lourenço, anunciou nesta quarta-feira (15), a demissão da presidente da companhia petrolífera nacional, Isabel dos Santos, filha do ex-chefe de Estado José Eduardo dos Santos e símbolo do nepotismo do regime.


Lourenço decidiu "retirar do cargo os membros do conselho de administração" da Sonangol, indicou a presidência em um decreto emitido à imprensa.

Apelidada de "princesa", Isabel dos Santos, de 44 anos, assumiu a direção da companhia em 2016, quando a empresa enfrentava grandes dificuldades financeiras, provocadas pela queda dos preços do petróleo havia três anos.

A mulher mais rica da África

A nomeação da filha do presidente, apontada pela revista Forbes como a mulher mais rica da África, provocou críticas dos opositores de José Eduardo dos Santos, acusado de privatizar a economia do país em benefício de um punhado de parentes.

Indicado e apoiado pelo antigo presidente, que governou Angola por trinta e oito anos, João Lourenço assumiu o comando do país em setembro após a vitória do partido no governo, o MPLA, nas eleições gerais de agosto de 2017.

Durante a campanha eleitoral, Lourenço prometeu relançar a economia do país, afetada por uma grave crise, e lutar contra a corrupção.

Varrendo o nepotismo?

Isabel dos Santos será substituída pelo ex-secretário de Estado para o Petróleo, Carlos Saturnino, que, por sua vez, fora demitido da presidência de Pesquisa e Produção da Sonangol pela mesma Isabel dos Santos.

Além da filha do ex-presidente, o novo governo agiu também sobre os irmãos de Isabel dos Santos. O presidente João Lourenço determinou que o Ministério da Comunicação Social afaste a Westside e a Semba Comunicações da administração do canal 2 da TPA, a Televisão Pública de Angola. As duas empresas estão diretamente ligadas a José Paulino dos Santos e Welwitschia dos Santos, ambos filhos de José Eduardo dos Santos.

Em contrapartida, Filomeno dos Santos, outro filho do ex-presidente, citado no escândalo dos “Paradise Papers”, continuará à frente do Fundo Soberano, com ativos de cerca de US$ 5 bilhões.