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Zimbábue África Renúncia Crise Robert Mugabe

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Zimbábue: vice de Mugabe pede renúncia do ditador

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Manifestantes pedem saída de Mugabe em protesto ocorrido em Harare no último sábado (18). REUTERS/Philimon Bulawayo

Em um comunicado, Emmerson Mnangagwa ,que deixou o país, pediu que Robert Mugabe, no poder há 37 anos, peça demissão do cargo e ouça o “clamor do povo”. Novas manifestações foram convocadas nesta terça-feira (21) pedindo que o ditador deixe o poder.


“O povo do Zimbábue se manifestou e peço ao presidente Mugabe que leve em conta esse apelo, para que o país possa avançar”, declarou Mnangagwa, afastado do cargo no início do mês, decisão que provocou a intervenção das Forças Armadas.

O ex-vice presidente declarou que fugiu do país porque sua vida estava “sendo ameaçada”. Ele diz estar em contato com o ditador e que só voltará ao país se a sua segurança for garantida. Seu desejo, disse, é participar, com toda a população, “de uma nova era que permitirá reconstruir a economia do país em nome do benefício de todos”. Mnangagwa é cotado para assumir a vaga de Mugabe.

Apesar dessa reviravolta política, Emmerson Mnangagwa foi, durante muito tempo, o homem-chave de Mugabe, acusado de participar da violenta repressão contra os opositores do governo.

Destituição

O partido Zanu-PF deve dar início, nesta terça-feira (21), ao processo de destituição de Mugabe no Parlamento. O prazo dado ao ditador de 93 anos para deixar a presidência terminou nesta segunda-feira.

O partido acusa o presidente de ser responsável pela instabilidade política do país, de desrespeito à lei e de ter afundado economicamente a nação africana nos últimos 15 anos. O Parlamento também acusa o presidente de ter favorecido sua esposa, Grace.

Mugabe não quer deixar cargo

O presidente, entretanto, não parece disposto a deixar a função, o que a população aguardava em seu discurso neste domingo. Ele até mesmo convocou um Conselho de Ministros para hoje, mas ainda não se sabe se os membros do governo participarão da reunião.

Mugabe está em prisão domiciliar desde a intervenção das forças armadas na semana passada. Os militares temiam que a esposa do presidente, Grace, conhecida pelos seus gastos abusivos, aproveitasse a situação para assumir o poder no lugar do marido.