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Demissão Zimbábue Robert Mugabe Presidente Imprensa

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Novo presidente do Zimbábue é déspota como Mugabe, diz Libération

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O ex-vice-presidente, Emmerson Mnangagwa, fez um discurso em Harare assim que voltou do exílio, em 22 de novembro de 2017. REUTERS/Mike Hutchings

Os jornais franceses desta quinta-feira (23) se interessam pelo perfil do novo presidente do Zimbábue que toma posse nesta sexta-feira (24). Libération sugere que Emmerson Mnangagwa é déspota como Robert Mugabe, que era seu mentor.


Emmerson Mnangagwa era o vice-presidente do ditador que ficou 37 anos no poder e durante esse tempo reprimiu “escrupulosamente” qualquer forma de oposição contra o regime, lembra Libération. O novo presidente do Zimbábue, conhecido e temido por sua brutalidade, é chamado de "crocodilo" no título da matéria.

Ele é o homem que provocou a crise. Sua exoneração do cargo de vice-presidente, no dia 6 de novembro, foi o estopim para o golpe militar que levou à destituição de Mugabe. Depois de décadas à sombra do ditador, o veterano da guerra de libertação e ex-chefe dos serviços secretos decidiu que chegou a hora de eliminar o mestre e tomar o poder. Ele já foi escolhido como novo líder do partido no poder, o Zanu-PF, e designado o candidato da legenda à eleição presidencial de 2018.

Presidente interino

Mnangagwa, de 75 anos, assume interinamente na sexta-feira e será o terceiro presidente da história do país, desde a independência da ex-colônia britânica em 1980. Ele voltou a Harare ontem, duas semanas depois de ter deixado o país e desembarcou prometendo uma "nova democracia".

"Não se iludam! Ele faz parte do sistema. Mnangagwa é um segurocrata e não um democrata", alerta Ibbo Mandaza, analista político do Zimbábue, entrevistado por Libé. O novo presidente, que é um dos homens mais ricos do país, também integra a lista de sanções financeiras dos Estados Unidos, ressalta o jornal progressista.

A demissão do ditador Mugabe deu aos habitantes um sentimento de liberdade. Houve uma explosão de euforia nas ruas da capital Harare, indicando uma amnésia coletiva sobre o percurso de seu sucessor. O futuro é incerto. Os opositores apontam que Mnangagwa não foi escolhido pelo povo e temem que os generais o mantenham no poder a qualquer custo. A presidencial de 2018 será mais importante do que nunca, conclui Libération.

Zimbábue sonha com reformas

Le Figaro diz que o Zimbábue sonha com uma nova era e se questiona sobre o desejo de reformas do novo governo. “O poder muda de cara, mas não muda de método”, afirma o jornal conservador.

O novo homem forte de Harare não é “nem reformador, nem opositor. Ele é na melhor das hipóteses um barão do Zanu-PF, integrante de todos os governos desde 1980, e na pior, um ultraconservador, da ala dura do partido”, avalia o diário. Seu principal aliado, o chefe das Forças Armadas, general Chiwenga, que comandou o golpe, também não é um dissidente.

O “neopresidente” não ignora que sua popularidade atual é fictícia e que, para se impor, deverá fazer concessões, prevê Le Figaro. As pressões internacionais para uma abertura do regime já começaram.