rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Livro "A Árvore Oca” nos faz refletir sobre as nossas buscas e escolhas

Por Claudia Giuza Mercier

Tendo como pano de fundo a cultura do vinho, o romance “A Árvore Oca”, de Maurício Vieira, nos faz viajar por vários continentes junto a Thomas, o personagem central e seu amor quase proibido pela bela angolana Marisol.

(Para ouvir a entrevista com Maurício Vieira na íntegra, clique na foto acima)

Como um bom vinho, o livro faz com que nós não queiramos se separar dele antes da última gota, da última página. Em entrevista nos estúdios da RFI em Paris, Vieira explica que o romance surgiu após o nascimento de sua filha, agora com três anos de idade. “Foi um parto difícil, de urgência. Isso trouxe à tona tudo que era importante na minha vida. Das coisas que realmente ficaram, foram dois temas que se entrelaçaram nessa história, o amor e a liberdade.”

Junto ao personagem Thomas, nós acabamos fazendo também uma reflexão sobre a vida, sobre o que realmente estamos em busca, sobre a nossa essência. “É natural para todos nós percorrer esse caminho. Essas dúvidas nos atravessam e nos levam a diferentes caminhos”, explica Vieira.”

Nascido no interior de São Paulo, Maurício Vieira já morou em Portugal e agora vive entre Paris e Angola. Ele também morou nos Estados Unidos e achava que seus livros seriam escritos em inglês. “Foi morando justamente em Angola que a língua portuguesa foi me permeando. A forma de falar o português pelos angolanos foi me cativando e lentamente eu voltei para a minha língua materna.”

Ligação entre Angola e Brasil

Segundo o escritor angolano Pepetela, vencedor do prêmio Camões - o mais importante prêmio literário da língua portuguesa - a Angola considera o Brasil como o “irmão mais velho”, mas ele alega que essa admiração é de mão única. Os angolanos se interessam pelo Brasil, mas o contrário não ocorre. “A Angola conhece o Brasil de uma forma um pouco superficial, através das novelas. Mas talvez precise conhecer também ‘outros Brasis’ que existe no Brasil”, responde Vieira.

As árvores sempre tiveram muita representatividade na vida do escritor. Ele já lançou um livro de fotografias chamado “A árvore e a estrela”, um de poesia de título “Arvorecências” e agora o romance “A Árvore Oca”. “Foi algo que eu descobri há pouco tempo. O símbolo que nos remete à natureza, que nos entrelaça com a natureza, é a árvore. Em todas as culturas antigas existe o símbolo da árvore do mundo que liga o solo ao céu. Ela é o percurso para a ascensão. Eu acho que a minha obra tem como poética principal a lembrança deste forte símbolo.”

O poder do tempo

Em seu último capítulo, o livro “A Árvore Oca” fala sobre o poder do tempo. Que ele é uma página em branco. Mas será que todos nós podemos recomeçar, escrever novas histórias? Esse é o dilema de seu protagonista, que hesita entre o amor e a promessa de um ganho material tão sonhado por ele. “Eu gostaria de acreditar que todos temos essa liberdade. Mas, no caso de alguns personagens, sobretudo Marisol (o amor de Thomas), ela não teve essa liberdade. O Thomas, por ser francês, teve toda a liberdade do mundo, de escolher. Mas é preciso ler o livro para saber qual a escolha que ele fez.”

Lançamento

Maurício Vieira participa nesta quinta-feira (21), às 19 horas, de um encontro literário no Instituto Cultural Franco-brasileiro Alter Brasilis,em Paris - 2 rue de Turenne, Marais.

Incêndios e barricadas substituíram greves como forma de protesto na França, diz especialista

Representante dos delegados da Polícia Federal diz ser contra banalização das armas no Brasil

Lia Rodrigues volta à Paris com “Fúria”, coreografia com moradores da favela da Maré

Militares nomeados por Bolsonaro são mais moderados do que ministros, diz Leonardo Sakamoto

“Comunidade internacional espera responsabilidade ambiental do Brasil”, diz especialista

“Muita gente procurava uma confeitaria menos doce”, diz chef francês radicado em Brasília

Paris recebe Bazar de Natal com artesanato de mulheres de favelas cariocas

Fotógrafo brasileiro lembra 30 anos da morte de Chico Mendes com exposição em Paris

Músicos Francis e Olivia Hime homenageiam Vinicius de Moraes na França

“Ser estrangeiro me fez escritor”, diz Natan Barreto, que lança livro de poesias em Paris

“Discurso de Bolsonaro legitima ‘direito de matar’”, afirma professora da Universidade de Brasília

Ex-ambulante brasileiro fala para 400 estudantes na Europa: “Seja parte da solução, não do problema”

“Romances em quadrinhos estão em momento especial”, diz ilustradora Luli Penna

“Sociedade civil é quem vai mudar o Brasil”, diz empresária Luiza Trajano em Paris

“É preciso regulação para que investigações sobre fake news não demorem anos”, diz especialista

"O problema do brasileiro é se conformar que Bolsonaro está eleito", diz Delfim Netto

Fotógrafa francesa Charlotte Dafol expõe em Paris imagens de ocupações brasileiras