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Artista brasileira faz residência em centro cultural que combateu o apartheid

A carioca Celina Portella, 40 anos, está encerrando uma residência em artes plásticas em Johanesburgo, na África do Sul. Em entrevista à RFI, ela conta como  foram os três meses que passou na Bag Factory Arts Studios, um complexo de estúdios no centro da cidade e símbolo de resistência política no país que enfrentou décadas de segregação racial.

Kinha Costa, de Johanesburgo para a RFI

O Bag Factory Arts Studios foi criado durante o apartheid e tornou-se um centro de convergência de artistas, sul-africanos e estrangeiros de todos o horizontes. Foi o primeiro estúdio do país a colocar, lado a lado, artistas brancos e negros dividindo o mesmo espaço de trabalho. O local continua sendo um espaço que questiona e estimula o pensamento criativo.

A formação de Portella vem de estudos de dança contemporânea em várias escolas do Rio de Janeiro, uma graduação em Design pela PUC-RJ e em Artes Plásticas na Universidade Paris 8. Ela trabalhou muitos anos como bailarina e colaboradora de coreógrafos, em companhias de dança contemporânea. Há quase duas décadas, trabalha com artes plásticas e dança.

A partir do vídeo e da fotografia, suas obras dialogam com a arquitetura e o cinema, sempre questionando a representação do corpo e sua relação com o espaço. O foco central de sua obra é brincar com a realidade virtual e as ações corporais. A carioca define seu trabalho “no terreno ambíguo entre o material e o imaterial, entre a objetividade do mundo e a ilusão”. A sua obra tem a capacidade de transformar uma ação performática em situações inusitadas e imponderáveis. De provocar discussões, definições, intenções e conceitos.  

Para Portella, o início da temporada em Johanesburgo foi um desafio. Ela se deu conta de que a troca cultural entre os dois países é praticamente inexistente. "Artistas brasileiros conhecidos no mundo, são desconhecidos aqui. O mesmo se aplica aos artistas sul-africanos no Brasil", constata.

Passado o primeiro momento da adaptação, ela começou a ver pontos de ligação entre o Brasil e a África do Sul, e a se reconhecer no povo sul-africano, que é hospitaleiro, simpático, generoso e alegre, segundo ela, como o povo brasileiro.

Prêmios 

Celina Portella recebeu indicação ao prêmio da Bolsa ICCO/sp-arte 2016, ao prêmio de aquisição EFG Bank & ArtNexus na SP Arte 2015 e ao prêmio Pipa 2013 e 2017. E foi premiada na XX Bienal Internacional de Artes Visuales De Santa Cruz na Bolívia em 2016, assim como no II Concurso de Videoarte da Fundação Joaquim Nabuco em Recife. 

Ela realiza mostras individuais, coletivas, dá aulas e ministra workshops, além de participar de residências, com destaque para a residência no Centre International d’accueil et d’échanges des Récollets em Paris, da LABMIS, do Museu da imagem e do Som em São Paulo, na Galeria Kiosko em Santa Cruz de La Sierra na Bolívia, entre outras.

Celina volta para o Brasil com uma bagagem de grande aprendizado: novas técnicas, formas novas de trabalhar, de conviver e muita informação que poderá compartilhar no Brasil, além de objetos de arte popular e muitos tecidos sul-africanos e africanos, em especial Shweshwe. 
 

Obra de Celina Portella C. Portella

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