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Nigéria Boko Haram Exército

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Apenas 15 das 113 nigerianas sequestradas pelo Boko Haram estão vivas, diz repórter

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Manifestação de participantes do movimento Bring Back Our Girls na Nigéria REUTERS/Afolabi Sotunde

De acordo com informações do jornalista Ahmad Salkida, que acompanha de perto o sequestro das 113 estudantes nigerianas pelo grupo terrorista Boko Haram, apenas 15 delas estariam em vida. Os dados do repórter, publicados em um tweet nesta semana, provocou uma onda de revolta no país.


No último fim-de-semana, várias comemorações ocorreram em Abuja, Yola e Lagos para marcar os quatro anos do sequestro das 276 meninas, ocorrido em 14 de abril de 2014. Em 2017, após negociações, dezenas delas foram liberadas. Os nigerianos também têm se manifestado para exigir provas de que as vítimas ainda estão em vida.

Esse também é o trabalho do movimento “Bring Back Our Girls”, que exige das autoridades ações investigativas para encontrar as desaparecidas e trazê-las para casa. “Nós queremos que o governo nos forneça provas de que as alegações do jornalista não são verdadeiras”, afirma Sesugh Akume, porta-voz do coletivo.

“Não queremos acreditar que a maior parte das estudantes não estão mais em vida”, continua Akume. “As autoridades devem nos fornecer indícios nos quais podemos confiar para confirmar que elas não estão mortas. Desde o começo, nenhuma informação circula: as autoridades não se comunicam com as famílias”. A resposta do governo é sempre a mesma: a imensa dificuldade de negociar com o grupo jihadista.

Combate de quase uma década

O conflito envolvendo o Boko Haram na Nigéria, país com mais de 180 milhões de habitantes, já dura nove anos. Os jihadistas, que querem estabelecer um Estado de califado no nordeste da nação, têm multiplicado os ataques contra os civis. Durante a Páscoa, pelo menos 20 pessoas morreram num atentado em Maiduguri, capital do Estado do Borno.

O grupo também tem aperfeiçoado suas técnicas de guerrilha, tornando o trabalho dos soldados nigerianos ainda mais árduo. De acordo com responsáveis militares que se reuniram nesta semana na Africa, “o método de guerra convencional do Exército da Nigéria contra o Boko Haram não é mais capazes de detê-lo”.

Além disso, as Forças Armadas nigerianas sofrem de uma má reputação – diversas organizações de defesa dos direitos humanos a acusam de tortura, prisão e execução arbitrárias, alimentando a desconfiança da população local.

“Vai ser muito difícil para que as forças armadas nigerianas mudem mais de 50 anos de má reputação”, avalia Yan St-Pierre, do gabinete de conselho Modern Security Consulting Group, situado em Berlim. “As pessoas ficam entre a espada e o punhal. A maioria não se sente em segurança nem com o Boko Haram, nem com o Exército”.