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Missionário brasileiro vive com população nômade em Burkina Faso

A vontade de trabalhar na África surgiu na adolescência, em Fortaleza, onde nasceu Cristiano Carneiro da Silva. Treze anos atrás, o brasileiro foi para o Burkina Faso, ex-colônia francesa, situada na região oeste do continente africano, e um dos países mais pobres do mundo. Lá, tornou-se missionário.

Por Fábia Belém, correspondente da RFI no Burkina Faso

“Eu faço parte da Missão Horizontes Mundial, que tem um trabalho dentro de Burkina Faso com uma associação. A prioridade é trabalhar com movimento de oração pelas pessoas, buscando formas de ajudar os mais carentes e necessitados deste país. No meu caso, eu vivo entre o povo fulani”, conta Silva. 

Os fulanis ou fulas são um grupo étnico formado por diversas populações espalhadas pelo continente africano. “São boiadeiros semi-nômades e nômades”, explica o missionário.

“Fulfulde”, a língua dos fulanis

Segundo Cristiano, possuir um animal, “uma vaca ou uma cabra ou um bode”, é um fator importante no processo de interação com as pessoas da comunidade. Ele também destaca que foi preciso aprender a língua dos fulanis para ter sucesso no trabalho. “Foram praticamente três anos estudando fulfulde, morando na oca com eles, com uma vaquinha, e vivendo a vida como eles vivem”, lembra o missionário.

Cristiano é casado com uma brasileira e tem duas filhas pequenas. A primeira nasceu no Brasil. A segunda, em Burkina Faso. Atualmente, a família mora no centro-norte do país.

Cristiano com a família Arquivo Pessoal

O missionário se adaptou à vida local - inclusive à escassez de água e de energia elétrica. “Por causa das baterias e as placas solares, nunca falta [energia]. Toda a minha energia é graças ao sol, por isso eu nunca reclamei do sol”, brinca.

A vida sob a ameaça do terrorismo

Cristiano também não reclama do calor, nem da poeira fina que vem do deserto do Saara. Tem aprendido, até a viver sob a constante ameaça de novos atos terroristas. Desde janeiro de 2016, Ouagadougou, capital do país, já foi alvo de três ataques.

“Todo o trabalho que eu faço é de moto, e eu procuro ir e voltar antes do sol se pôr, para evitar riscos. Às vezes, eu penso que estar com a minha família e as com minhas filhas aqui… Dá um medo.

Mas desistir do trabalho em razão das dificuldades diárias nem passa pela cabeça de Cristiano. “Eu me sinto realizado no que eu estou fazendo, que é ajudar as pessoas. A felicidade está no meu coração.”

 

Cristiano com crianças fulanis. Arquivo Pessoal

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