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Ministro italiano é a favor de centros de migrantes, mas em países africanos

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O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini. Andreas SOLARO / AFP

O ministro italiano de Interior, Matteo Salvini, disse nesta segunda-feira (25) durante uma visita a Trípoli que vai propor a criação de centros de migrantes em países africanos, na fronteira sul da Líbia.


Matteo Salvini, que foi recebido pelo ministro do Interior líbio, Abdoulsalam Achour, e pelo vice-primeiro-ministro do país, Ahmed Maïtik, não especificou em quais países poderiam ser instalados esses centros. De volta à Itália, Salvini detalhou o plano, fazendo referência ao Níger, Mali, Chade e Sudão.

O oeste da Líbia é atualmente o principal ponto de partida para milhares de refugiados que fogem da pobreza e de conflitos e procurando viajar para a Europa. A Itália acolheu cerca de 650 mil migrantes que chegaram por mar desde 2014. Matteo Salvini agradeceu à Guarda Costeira da Líbia por seu "excelente trabalho" em missões de resgate e intercepção de migrantes, acrescentando que os dois países estavam em " perfeito acordo" sobre questões de migração.

"Faremos tudo para garantir que sejam as autoridades líbias que patrulhem as águas do país, evitando assim a interferência de associações (ONGs) que querem tomar o lugar dos governos e, ao fazê-lo, ajudam criminosos e contrabandistas ", disse Salvini. "Os problemas na Líbia devem ser resolvidos na Líbia e não nas capitais europeias", completou. Segundo ele, a criação desses centros vai acalmar as tensões entre a Itália e a Líbia.

Migrantes sim, mas "na Líbia não"

Mesmo se o vice-primeiro-ministro líbio pretende lutar contra a imigração, ele rejeita fortemente a criação de centros de migrantes no país. "Isso não é permitido na legislação da Líbia", disse Ahmed Maïtik. Os guardas costeiros líbios recolheram 948 africanos e pescou dez corpos no domingo durante várias operações de salvamento.

O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, declarou que navios de ONGs humanitárias com migrantes resgatados do mar não poderiam mais atracar na Itália. Assim, o navio Aquário foi deixado à deriva por vários dias com mais de 600 migrantes a bordo, antes de a Espanha os aceitar. Depois da crise desencadeada por Aquário, chefes de Estado e do governo de 16 países europeus se reuniram domingo em Bruxelas, sem no entanto entrar um acordo, para tentar neutralizar a crise, antes do Conselho Europeu previsto para acontecer em 28 e 29 de junho.