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Imigrantes ONG Refugiados

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Mais um barco à espera de um porto acentua crise migratória na Europa

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Migrantes a bordo de navio humanitário da ONG Open Arms, em julho de 2018. OLMO CALVO / AFP

A ONG espanhola Proactiva Open Arms procura nesse sábado (4) por um porto para desembarcar 87 migrantes resgatados na noite de quarta-feira em águas internacionais na costa da Líbia. Esses migrantes, quase todos sudaneses, incluindo muitos de Darfur, passaram 50 horas a bordo de um bote de borracha, sem mantimentos e muitos têm queimaduras causadas pela mistura de combustível e água do mar.


"Estamos começando a ver seus primeiros sorrisos, apesar do medo e da incerteza ainda estarem em seus rostos", disse a ONG através de um comunicado no Twitter. Apesar das dificuldades, a situação deles “é um pouco melhor depois das perseguições sofridas em seus lares e a longa viagem no Mediterrâneo", completaram os ativistas responsáveis pelo resgate.

Muitos se atiraram na água ao ver os socorristas por medo de serem enviados de volta à Líbia, onde muitos migrantes estão sujeitos a abuso, detenção arbitrária, extorsão e violência. O barco espera indicações de onde os 87 migrantes poderão finalmente desembarcar.

"Em qualquer lugar, mas não na Itália", já avisou o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, através do Twitter. Durante suas duas últimas operações, o Open Arms levou os migrantes resgatados para a Espanha, onde o governo discute um plano para o aumento de pedidos de refúgio.

Entrada recorde na Espanha

De oito mil, há dois anos, os pedidos de entrada na Espanha passaram a 28 mil atualmente. O novo primeiro-ministro do país, o socialista Pedro Sanchez, quer dar uma resposta rápida a essa chegada recorde de migrantes, protegendo os direitos humanos, mas sem deixar de fortalecer as fronteiras. O comissário de Migrações da União Europeia esteve em Madri nessa sexta-feira (3) para tratar da crise migratória.

A firmeza de Matteo Salvini de não abrir os portos italianos não impede, no entanto, a chegada à costa do país de muitos migrantes que fazem o trajeto via Argélia, Tunísia e Turquia. Segundo o próprio Salvini, nas últimas horas, um total de 135 tunisianos, a bordo de 13 embarcações, desembarcaram na ilha de Lampedusa. Por causa de um acordo com Túnis, todos eles serão devolvidos nos próximos dias.

A polícia italiana também interceptou 14 argelinos em um barco ao sul da Sardenha. Outras 25 pessoas chegaram à Siracusa (Sicília) após deixarem a Turquia, há uma semana, a bordo de um barco turco conduzido por dois contrabandistas ucranianos.

Esses fluxos de migração parecem pequenos em comparação com os que chegam pela Líbia, mas têm sido regulares.

Segundo uma contagem da Organização Internacional para as Migrações (OIM), datada de 18 de julho, 18.653 migrantes chegaram à Espanha por mar desde o início do ano. Eles são provenientes, principalmente, da África Subsaariana - incluindo Guiné, Mali, Mauritânia - e Marrocos.

Este ano, pelo menos 294 pessoas morreram tentando chegar à Espanha, de um total de 1.489 mortos no Mediterrâneo, segundo o site da OIM.

Em meados de junho, a Espanha havia aceitado 630 migrantes que chegaram a bordo de três navios, incluindo o barco humanitário Aquarius, ao qual a Itália e Malta haviam recusado o acesso.