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O Maracana dos africanos

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As partidas da Copa Africana de Maracana foram disputadas em um ginásio de Abdijã. Captura de vídeo

Em Abidjã, na semana passada, aconteceu a 7ª edição do Mara'CAN, a Copa Africana de Maracana, um tipo de futsal inventado por alguns jovens marfinenses nos anos 1970. O nome da modalidade foi inspirado no mítico estádio do Rio de Janeiro, mas perdeu o acento til da última sílaba. E a Costa do Marfim ficou mais uma vez, com os troféus da competição.

Annie Gasnier, enviada especial da RFI a Abidjã


"Todos sonhávamos com o futebol do Brasil, de ver o Maracanã! E eu vi o estádio do Rio, vazio, mas tão imponente: nunca tínhamos visto um estádio grande e bem feito assim, e em qualquer lugarzinho da cidade, tantas pessoas, crianças e adultos, jogando bola. Fiquei fascinado!", recorda Jean-Baptiste Kipré.

Em 1979, Kipré viajou até o Rio de Janeiro com outros estudantes, recompensados pelos bons resultados acadêmicos. Na época, o emblemático presidente Félix Houphouët-Boigny, herói da independência do país, costumava mandar os melhores alunos ao exterior para "descobrirem o mundo".

E os que voltavam do Brasil começaram a se juntar para jogar em pequenas áreas do Campus da Universidade de Cocody. "O Maracana nasceu na frente do prédio K, nas quadras de tênis! Praticávamos esse futebol de rua, muito rápido e técnico" lembra Kipré, hoje membro da Federação internacional de Maracana (Fimada)

Era também uma maneira para os estudantes de mostrar admiração pelo jogo bonito de Pelé, Jairzinho, Rivelino. Na Universidade, eram chamados de "os Brasileiros" e hoje se chamam “os Maracaniers".

Com o tempo, o Maracana evoluiu na Costa do Marfim. E nos anos 2000, foi codificado (ver abaixo). A modalidade se pratica nos bairros de Abidjan, onde tem dezenas de clubes, e também no interior do país e vilarejos. Pelo prazer. Nada profissional. E, pouco a pouco, ganha outros países da África francófona. A diáspora marfinense ajuda: criou clubes no Canadá e na França.

Hoje, a Fimada gosta de falar que se joga "entre 7 e 77 anos", mas valoriza a prática dos veteranos, dos adultos. Segundo o presidente da Fimada, Jean-Charlemagne Bleu, é uma boa oportunidade para os que já não podem correr num campo gramado, nem juntar muitos amigos: "Para manter o corpo saudável quando a gente começa a declinar", comenta um dos Maracaniers.

O Maracana, talvez pelo nome, atrai muitos ex-jogadores das seleções africanas, e agora também se expandiu para o Mali, Burkina Faso, Togo, além da Costa do Marfim. Para os participantes é uma maneira de se encontrarem e também de competir.

A Copa do Mundo de 2014 foi muito especial: cerca de 50 "Maracaniers" de Abidjã viajaram até o Brasil para descobrir o verdadeiro Maracanã!

Convivialidade, Fraternidade, Amizade: 3 palavras que acompanham o Maracana, um futsal jogado numa quadra de handebol. São 14 regras.

Entre elas, são 6 pessoas em cada time no jogo, e podem ser feitas substituições de quatro jogadores que entram e saem, sem parar a partida.

O jogo tem dois tempos de 10 minutos, e entre eles, um intervalo de cinco minutos. Não tem goleiro e o jogo nunca termina em empate. Se for o caso, a decisão sai nos pênaltis.

Originalidade: se comenta a partida na beira do campo. Jean-Baptiste Kipré era, ao lado do locutor, o comentarista em Abidjan!

A próxima CAN do Maracana será organizada em Conacri, capital da Guiné. A competição terá duas categorias: Sênior (+ 35 anos) e Super Sênior (+ 45 anos). Nas duas disputadas este ano, os marfinenses ergueram os troféus de campeões.