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República Democrática do Congo Eleições

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Eleições históricas na República Democrática do Congo têm grande participação

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Eleitores fazem fila para votar em um centro de votação em Kinshasa, República Democrática do Congo, em 30 de dezembro de 2018 REUTERS/Baz Ratner

A República Democrática do Congo realizou neste domingo (30) uma eleição histórica para escolher o sucessor do Presidente Joseph Kabila, entre atrasos, esperança de mudança e medo de novas violências.


"Sinto-me libertado", declarou Victor Balibwa, um funcionário público de 53 anos que foi um dos primeiros eleitores a depositar sua cédula em uma urna em Lubumbashi.

Estas eleições, após três adiamentos, devem designar o sucessor do presidente Joseph Kabila, no poder desde que seu pai foi assassinado em janeiro de 2001.

É a primeira vez que o Congo pode sonhar com a transmissão pacífica de poder desde a independência em 1960.

O atual presidente votou em Kinshasa com seu herdeiro designado, seu ex-ministro do Interior, Emmanuel Ramazani Shadary.

Uma hora depois, um dos dois principais candidatos da oposição, Martin Fayulu, fez o mesmo.

"É um grande dia para mim, é um grande dia para o Congo porque é o fim da ditadura, da arbitrariedade de 18 anos do sistema Joseph Kabila", declarou Fayulu.

Até agora nenhum incidente importante foi registrado neste imenso país com uma história turbulenta, onde as eleições foram adiadas em duas regiões, oficialmente devido à violência (Beni-Butembo no leste e no Yumbi no oeste).
   
Máquinas bloqueadas
   
Em Beni, alguns jovens também organizaram uma votação fictícia para protestar. "A cidade de Beni está na República Democrática do Congo, eles não podem nos privar (do direito de voto)", afirmou um deles, Maxi.

Houve muitos atrasos nos centros de votação. Muitos eleitores perderam tempo procurando seu nome e centro nas listas eleitorais. Além disso, muitas urnas eletrônicas não funcionaram.

Os eleitores que conseguiram votar, no entanto, não escondiam seu entusiasmo.

"Estou animado por votar, por poder escolher, finalmente", disse Rachel, uma estudante de 18 anos de idade em um colégio eleitoral em Goma, neste país onde a maioria dos seus 80 milhões de habitantes tem menos de 25 anos.

No total, 40 milhões de eleitores registrados escolherão entre 21 candidatos, dos quais a maioria não fez campanha.

Decisão com atraso
   
Kabila chegou a renunciar para concorrer a um terceiro mandato proibido pela Constituição.

Sua decisão chegou tarde, já que as eleições foram adiadas três vezes desde o final de seu segundo mandato no final de 2016.

As pesquisas preveem uma derrota de Ramazani Shadary e a vitória de Fayulu. Em todo caso, os resultados parciais só serão divulgados em 6 de janeiro.
   
Ao mesmo tempo que as eleições presidenciais, foram realizadas as legislativas e as provinciais.

Para estas eleições, Kinshasa rejeitou qualquer ajuda logística das Nações Unidas, presente durante 20 anos no Congo, bem como qualquer missão de observação do Ocidente.

Para o dia eleitoral, o poder anunciou o fechamento de suas fronteiras terrestres e fluviais com seus nove vizinhos.

Por outro lado, a internet não foi interrompida, como costuma acontecer com os dias de eleição.

A campanha foi marcada pela violência, com uma dezena de mortes, segundo uma associação de defesa dos direitos humanos, algo que o poder nega.

No sábado à noite, os dois candidatos da oposição se recusaram a assinar um documento que visava a prevenir a violência, fechando a porta para a mediação de observadores africanos.

(Com informações da AFP)