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República Democrática do Congo África Eleições

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Internet é cortada na República Democrática do Congo logo após as eleições

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Eleitores durante as eleições na RDC, no dia 30 de dezembro REUTERS/Kenny Katombe

A internet está cortada na República Democrática do Congo (RDC) desde a segunda-feira (31) de manhã, um dia após as eleições gerais, levantando suspeitas e reações por parte da oposição. Segundo as operadoras de dados, a medida foi uma instrução do governo, que não deu, até o momento, nenhuma justificativa oficial. A frequência da RFI também foi interrompida na capital, Kinshasa.


De acordo com Aubin Minaku, presidente da Assembleia Nacional, o corte do acesso à internet se justifica por “razões de segurança”. “Hoje, as redes sociais são uma das principais fontes de informação das pessoas”, argumenta Tshivis Tshivuadi, secretário geral da ONG Jornalistas em Perigo. “Atualmente, é impossível saber o que acontece no país e o que eles [o governo] querem.”

Os candidatos da oposição estimam, por sua vez, que o governo tomou essa decisão para impedir a transparência no país. “Tendo em vista o difícil acesso nas rotas da RDC, sobretudo na temporada de chuvas, a Internet é indispensável para a coleta de dados”, lamenta Abraham Lukabuanga, porta-voz do candidato Félix Tshisekedi.

Eve Bazaïba, porta-voz do candidato de oposição Martin Fayulu, lembra que a aplicação WhatsApp e as mensagens de texto representam o meio mais simples para comunicar os resultados provisórios. ”Para nós, é uma decisão que acaba com a liberdade e com a constitucionalidade”, afirmou Israël Mutala, presidente da Associação Mídias Online. “As autoridades disseram que as eleições ocorreram sem violência. Não vejo, portanto, o motivo de cortar a internet, com a desculpa de que havia o risco de desordem pública.”

Processo eleitoral conturbado

Os dois principais candidatos da oposição, Martin Fayulu e Felix Tshisekedi, se negaram a assinar um documento “a favor da paz”, firmado pelo candidato da maioria presidencial, Emmanuel Ramazani Shadary, e pelo presidente da comissão eleitoral, Corneille Nangaa. O texto era um "compromisso em favor da paz, de eleições transparentes, tranquilas e não violentas", onde os candidatos deviam se comprometer a rechaçar "qualquer forma de violência".

As eleições de domingo (30) ocorreram após anos de turbulências. A votação foi adiada oficialmente em três regiões por conta do vírus do ebola e de incidentes violentos, embora estas áreas sejam conhecidas por se opor ao governo do presidente em fim de mandato, Joseph Kabila, que, com 47 anos, está no poder há quase 18.

Apesar da tensão em torno das eleições, o presidente Kabila assegurou no sábado (29) que tinha "a convicção” de que tudo correria bem, durante uma entrevista ao jornal francês Le Monde. "Não se pode desconsiderar [a chance de ocorrerem] episódios violentos após as eleições, mas a ameaça à segurança está sob controle", acrescentou o presidente.

Vinte e um candidatos disputaram a sucessão de Kabila. Se tudo correr bem, um deles será empossado em 18 de janeiro. Será a primeira vez que a RDC alcança uma transição pacífica desde a independência, em 1960.