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Argélia Manifestações

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Argelinos voltam às ruas para pedir renúncia do presidente

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Nova sexta-feira de manifestações em Argel, Argélia, para pedir a renúncia do presidente. 29 de março de 2019. REUTERS/Ramzi Boudina

Os argelinos voltaram a se manifestar nesta sexta-feira (29), três dias depois que o chefe do Estado-Maior do Exército e outros antigos aliados pediram ao presidente Abdelaziz Buteflika que deixe o cargo. É a sexta semana consecutiva de protestos no país.


Nesta semana, o general Ahmed Gaïd Salah pediu para ativar o artigo 102 da Constituição, isto é, para declarar o chefe de Estado inapto. Ao mesmo tempo, o clã presidencial continua a perder seus partidários mais leais. Segundo a polícia argelina, 1 milhão de pessoas saiu às ruas em Argel.

O Partido Reunião Nacional Democrática (RND), principal aliado da Frente de Libertação Nacional (FLN) de Buteflika, também recomendou "a renúncia do presidente da República" com "o objetivo de facilitar o período de transição".

O lema é: "Não deixamos passar nada", como explica uma avó que veio protestar com sua netinha e sua irmã. "O artigo 102, nós recusamos tudo! Toda a Argélia recusa o artigo 102. Os argelinos não querem ser governados por um sistema podre. Pedimos que ele saia, pedimos que sistema venha abaixo", disse esta senhora argelina à RFI.

“Eu vim me manifestar como faço todas as sextas-feiras, como a maioria dos argelinos, pela democracia e pela liberdade. Para garantir que as eleições sejam realizadas de forma transparente e respeitem a vontade do povo”, disse um argelino à RFI.

Crise política e povo nas ruas

As mobilizações semanais contra Buteflika foram iniciadas em 22 de fevereiro, depois que o presidente anunciou que disputaria a presidência pela quinta vez seguida.

Esse anúncio provocou uma crise política e manifestações quase diárias, que o obrigaram a renunciar a sua candidatura.

Ao mesmo tempo, Buteflika adiou por tempo indeterminado a realização da eleição presidencial prevista para 19 de abril.

Buteflika, de 82, está bastante debilitado por um AVC sofrido há seis anos. Ele dirige o país há duas décadas, um recorde de longevidade.