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Moçambique organiza eleições gerais com partido no poder há 40 anos enfraquecido

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Líder do partido Frelimo, Filipe Nyusi, tenta se reeleger para a presidência de Moçambique. REUTERS/Grant Lee Neuenburg

Mais de 12 milhões de moçambicanos vão às urnas nesta terça-feira (15) em eleições gerais para escolher o novo presidente, renovar as assembleias provinciais, governadores e deputados. A campanha foi marcada pela violência, com candidatos ameaçados e assassinatos. O Frelimo, partido no poder há quatro décadas no país africano, enfrenta o voto enfraquecido, após um resultado em queda nas eleições locais do ano passado.


Com informações de Cristiana Soares, enviada especial a Maputo

Quatro candidatos disputam a presidência. Filipe Nyusi, da Frente da Libertação de Moçambique (Frelimo), que tenta se reeleger, enfrenta Ossufo Momade, presidente da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), principal partido da oposição. Também concorrem Daviz Simango, presidente do MDM, terceira legenda de representação parlamentar, e Mário Albino, candidato pela Acção de Movimento Unido para Salvação Integral.

Os eleitores também elegem os 250 deputados e dez assembleias provinciais, com seus respectivos governadores, distribuídos em 25 partidos. Essa é a primeira vez que os governos das províncias são escolhidos por voto direto.

A campanha foi marcada pela violência visando principalmente os candidatos. A corrida eleitoral terminou com um saldo de 40 mortos, sete deles assassinados. Mais de 200 pessoas ficaram feridas e dezenas de casas foram incendiadas.

Gil Mulhovo, observador da organização Casa da Paz, teme episódios de violência até o último minuto. “Há riscos importantes em algumas regiões, como Mampula e Zambezia, onde a competição entre os dois partidos foi mais acirrada. A situação também será difícil na província de Gaza, onde um de nossos observadores foi assassinado, instaurando um clima de medo. Isso pode ter um impacto na hora do voto”, explica.

O observador também ressalta os problemas logísticos, lembrando que o país ainda não se recuperou da passagem do ciclone Idai, em março deste ano. “Várias escolas, que antes serviam de local de voto, foram destruídas e ainda não foram reerguidas. Isso certamente terá afetará o voto”.

Com reservas de gás, país pode se tornar o “novo Catar”

Salvo uma virada de última hora, Nyusi e seu partido, a Frelimo, devem se impor mais uma vez frente a seu eterno rival, Renamo. Mas a violência da campanha eleitoral reflete as dificuldades de um governo que tenta administrar uma crise econômica e conflitos armados. Nas eleições locais realizadas no ano passado, o partido conquistou pouco mais de 51% dos votos, o pior resultado de sua história. 

O tema da exploração de gás nesse país lusófono protagonizou a campanha eleitoral. Desde a descoberta, no início dos anos 2010, de grandes reservas submarinas frente a seu litoral norte, Moçambique sonha em se beneficiar dos frutos da commodity.

Estimado em 5 bilhões de metros cúbicos, este tesouro pode transformar um dos países mais pobres do planeta em um exportador de primeiro nível de Gás Natural Liquefeito (GNL). Os mais otimistas afirmam que Moçambique poderá se tornar um “novo Catar”, já que a receita estimada com o produto é de até US$ 3 bilhões por ano.

Este grande projeto de gás foi adiado durante muito tempo, mas acaba de ser lançado, com investimentos prometidos da ordem de € 50 bilhões por parte da americana ExxonMobil e da francesa Total.

"Com este projeto, os filhos dos camponeses serão médicos, e os filhos dos mineiros, advogados", prometeu Filipe Nyusi durante a campanha. Em um país onde, segundo números do Banco Mundial, cerca da metade (46%) dos 31 milhões de habitantes vive abaixo do limite da pobreza, as declarações do presidente trazem muita esperança, principalmente entre seus simpatizantes.