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Moçambique: Após pleito marcado por denúncias de fraude, apuração pode durar 15 dias

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Eleitores esperam para conhecer o resultado da eleição geral em Moçambique REUTERS/Grant Lee Neuenburg

Os moçambicanos foram às urnas nesta terça-feira (15) para escolher o novo presidente, governadores, deputados e renovar as assembleias provinciais. Além da violência durante campanha, marcada por assassinatos, o pleito é alvo de acusações de fraude durante o voto. As autoridades preferiram não divulgar nenhum resultado parcial. 


A oposição e observadores de ONGs locais registraram uma série de incidentes e irregularidades graves durante a votação. “Em algumas mesas houve situações claras de enchimento de urnas, pois havia discrepância entre o número de votos e o número de votantes. Tivemos também situações reportadas de detenção de delegados de partidos”, relata Adriano Nuvunga, diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento de Moçambique. “Na cidade de Maputo, eleitores puderam votar sem que seus nomes constassem nas listas eleitorais”, completa.

Segundo as autoridades locais, 73 pessoas foram presas no dia do voto, acusadas de “perturbações nas zonas eleitorais”. Na província de Nampula, a polícia teve que intervir com bombas de gás lacrimogêneo para dispersar partidários da oposição que ocupavam as zonas eleitorais. O grupo alegava estar “protegendo seus votos”. Um eleitor chegou a ser morto pela polícia em circunstâncias que ainda estão sendo investigadas.

A comissão eleitoral informou nesta quarta-feira (16) que, ao contrário que do fez nas eleições anteriores, não pretende divulgar resultados parciais da apuração. As autoridades preferiram esperar a contagem total, que deve levar 15 dias, prazo imposto pela lei.

Atraso nos resultados pode aumentar tensões

Hermenegildo Mulhovo, porta-voz da ONG Sala da Paz, teme que a demora na divulgação dos resultados provoque mais incidentes. “Quanto mais atrasarem a publicação, mais haverá suspeitas [de fraude] e risco de tensões”, afirmou.

O presidente Filipe Nyusi tem grandes chances de ser reeleito, e seu partido Frente da Libertação de Moçambique (Frelimo), que comanda o país desde 1975, deve sair vitorioso nas legislativas. No entanto, o Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), principal partido da oposição, espera recuperar parte do poder, conquistando algumas províncias, algo inédito no país.