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Congresso americano pressiona Hu Jintao sobre direitos humanos

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Antes de ser recebido pelo Congresso americano, Hu Jintao se encontrou com o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid.

Após uma recepção de gala na Casa Branca, o presidente da China, Hu Jintao, se reuniu com líderes do Congresso dos Estados Unidos na manhã desta quinta-feira. O líder chinês discutiu com os parlamentares americanos temas delicados da relação entre os dois países como a parceria comercial e direitos humanos.


Com nossa correspondente em Washington, Raquel Krähenbühl,

O primeiro encontro oficial de Hu Jintao no Capitólio foi com o presidente da Câmara dos Representantes, John Boenher, com o chfe da maioria conservadora republicana, Eric Cantor, e outros parlamentares como a líder dos democratas, Nancy Pelosi. 

"É importante que continuemos a resolver nossas diferenças de maneira a beneficiar nossos dois países e povos", disse Boehner em um comunicado oficial divulgado após o encontro.

A intenção dos deputados americanos também foi de manifestar o descontentamento com a questão dos direitos humanos na China, um assunto que une os dois partidos, Republicano e Democrata, nas críticas a regime de Pequim. 

O presidente chinês também foi recebido no Senado pelo líder da maioria democrata, Harry Reid, que chegou a chamar Hu Jintao de "ditador", antes de se retratar. Os dois trocaram um aperto de mão diante das câmeras.  Segundo o gabinete do senador americano, as discussões, realizadas à portas fechadas, trataram dos principais temas da relação bilateral: comércio, investimentos, moeda chinesa, Irã, Coreia do Norte, mudanças climáticas e direitos humanos. 

Tapete vermelho

Na quarta-feira, depois de encerradas as sempre delicadas reuniões entre um líder chinês e um americano, um jantar de gala para mais de 200 convidados na Casa Branca descontraiu a visita de Estado que o presidente chinês, Hu Jintao, realiza ao americano, Barack Obama. Mais cedo, a pauta de discussões tinha a economia como foco, mas questões polêmicas, foram abordadas pelos líderes.

Os dois presidentes chegaram ao encontro de quarta-feira com uma lista cheia de assuntos pendentes sobre os quais discordam profundamente: comércio, câmbio, segurança e direitos humanos. Durante todo o dia de eventos e reuniões, enquanto o presidente Obama pressionou sobre as divergências, Hu Jintao foi mais genérico em suas declarações e expôs menos suas opiniões.

Obama insistiu no problema dos direitos humanos na China. Até mesmo no discurso de boas-vindas ao presidente chinês, Obama falou sobre a necessidade de os países observarem os direitos humanos universais. Mais tarde, citou o caso do Tibet, pedindo que a China considere uma negociação com o lider exilado tibetano Dalai Lama.

Hu Jintao a princípio respondeu com um pedido para que os dois países respeitem os interesses de cada um. Depois, adimitiu que "muito ainda precisa ser feito na China" em termos de direitos humanos. A declaração, inédita, foi vista como uma conquista. E não foi a única.

Na área econômica, apesar da insistência de Obama sobre o problema da desvalorização da moeda chinesa que prejudica as exportações de outros países, Estados Unidos e China chegaram a um acordo de peso. O governo chinês concordou em comprar 45 bilhões de dólares em produtos americanos, entre eles 200 aviões da Boeing por 19 bilhões de dólares. De acordo com Obama, o pacote vai ajudar a criar 235 mil empregos nos Estados Unidos.

Os dois líderes se comprometeram a fortalecer a cooperação na área econômica e comercial, e também nas áreas de meio ambiente e energia, de ciência e tecnologia, de infraestrutura e construção, de cultura e educação, no combate ao terrorismo e na não-proliferação de armas nucleares. Obama declarou que a China e os Estados Unidos têm uma enorme participação no sucesso um do outro e falou que uma cooperação entre as duas nações é boa não só para eles, mas para todo o mundo.

Hu Jintao lembrou que o povo chinês e povo americano querem ver progresso nesta relação e por isto os dois países devem procurar senso comum enquanto resolvem as diferenças. O presidente chinês disse esperar com esta visita que os dois países possam começar um novo capítulo de cooperação como parceiros.

A visita do lresidente da China está sendo marcada com muita pompa, digna dos aliados mais próximos dos Estados Unidos. Tudo isto para mostrar a importância de uma aproximação e de um diálogo entre as duas nações mais poderosas do mundo, que historicamente vivem relações muito tensas e hostis.

Moeda

Apesar dos acordos comerciais firmados, Obama não parece ter convencido Hu Jintao sobre a realização de mudanças na política monetária chinesa. Pouco após a coletiva de imprensa realizada pelos dois líderes, o ministro das Relações Exteriores chinês, Cui Tiankai, afirmou que a conversa "não modificou o essencial" da política de desvalorização do yuan, criticada pelo presidente americano.

Nesta quinta-feira, o presidente Hu Jintao visita o Capitólio e deve se reunir com os parlamentares americanos que têm sido muito críticos com o líder chinês, acusado por alguns deles de ser um verdadeiro "ditador". Hu Jintao deverá fazer um pronunciamento diante da Comissão Nacional para as relações sino-americanas e na sequência, se desloca para Chicago, berço político do presidente Obama.

Crescimento

A China anunciou nesta quinta-feira que prevê um crescimento de 10,3% neste ano, o índice mais alto desde a crise econômica e que a fortalece na posição de segunda potência econômica mundial, atrás dos Estados Unidos. Apesar das boas perspectivas, o país vai ter de enfrentar uma alta da inflação, que ficou em uma média de 3,3% no ano passado, com picos de 5,5% no final do ano.
 

Raquel Krähenbühl, correspondente da RFI em Washington. 20/01/2011 Ouvir