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No debate entre Gingrich e Huntsman quem sai perdendo é Mitt Romney

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O debate reuniu dois pré-candidatos do Partido Republicano à sucessão de Barack Obama: Jon Huntsman (à esquerda) e Newt Gingrich. REUTERS/Brian Snyder

Nesta segunda-feira, os pré-candidatos republicanos Newt Gingrich e Jon Huntsman realizaram um debate no estilo conhecido nos Estados Unidos como Lincoln-Douglas, em referência aos debates feitos em 1858 entre Abraham Lincoln e o senador Stephen Douglas, que duravam cerca de três horas e não apresentavam tempo limitado para as respostas.


 Além deste debate ter tido um formato diferente, a conversa entre Newt Gingrich e Jon Huntsman foi inusitada por contar com a participação exatamente desses dois pré-candidatos: o primeiro lidera a corrida para a nomeação republicana; já o segundo, Huntsman, é um dos nomes menos populares, e nem chegou a ser convidado para o debate oficial do último sábado, por não constar entre os seis mais cotados.

Mas então por que Gingrich escolheu convidar Huntsman para essa discussão? Por dois motivos. Em primeiro lugar, porque Huntsman é o pré-candidato republicano mais parecido com Mitt Romney, o número dois nas pesquisas, e pode ajudar a roubar-lhe alguns votos. Em segundo lugar, porque Huntsman não é exatamente um concorrente forte para Gingrich, e não cria riscos para o ex-presidente da Câmara americana. Segundo os analistas, trata-se de uma aliança temporária entre os pré-candidatos que têm um inimigo em comum: Mitt Romney.

Mas para quem estava esperando uma verdadeira batalha de ideias, como as que ocorriam entre Abraham Lincoln e Stephen Douglas, o debate foi uma decepção. Os pré-candidatos falaram pouco ou quase nada sobre economia e os temas sociais levantados pelo movimento Ocupe Wall Street. O foco ficou na política externa.

Huntsman disse que o risco do Irã desenvolver uma bomba atômica é “monumental”, e levaria outros países da região, como a Turquia, a fazer o mesmo. Gingrich concordou e avisou que o Irã é o maior desafio para a segurança dos Estados Unidos nos próximos dez anos.

Em relação a parceiros estratégicos no mundo, Gingrich acredita que a China será o parceiro mais importante da América nas próximas décadas. Huntsman, que era o embaixador americano na China até o início deste ano, concorda e até citou uma frase em mandarim que diz “a propósito, na China nós também fazemos política”.

O debate terminou aos 90 minutos, com Gingrich convidando o presidente Obama para o mesmo tipo de discussão. E deixando a impressão de que neste debate, não importa saber quem foi o vencedor, pois o perdedor ficou muito claro: é o pré-candidato Mitt Romney, que nem estava presente.