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Cristina Kirchner fala de câncer com bom humor e pede apoio ao país

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, realizou pronunciamento público nesta quarta-feira na Casa Rosada, com uma foto de Eva Péron ao fundo. REUTERS/Marcos Brindicci

Durante um ato na Casa Rosada, na sua primeira aparição pública desde que foi divulgada a doença, a presidente argentina Cristina Kirchner demonstrou bom humor e tranquilidade. Ela aproveitou o clima de solidariedade geral com o seu estado de saúde para pedir o apoio de todos para o país.


Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

Cristina Kirchner passou a integrar o clube dos presidentes sul-americanos que combatem ou combateram o câncer. Fazem parte da lista Hugo Chávez, da Venezuela, Fernando Lugo, do Paraguai, Dilma Rousseff e Lula do Brasil. Ela chegou a brincar com a situação, e disse ao líder venezuelano que vai disputar a presidência do Congresso dos que venceram o câncer. “Você e o seu congresso dos que venceram o câncer... Eu vou brigar com você e com todos pela Presidência honorária”, ironizou Kirchner.

Na semana passada, durante a reunião de Cúpula do Mercosul no Uruguai, o presidente Hugo Chávez voltou a convocar os colegas sul-americanos a uma Cúpula dos que derrotaram o câncer. Segundo Chávez, a reunião seria liderada pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff, sem saber que Cristina Kirchner engrossaria a lista uma semana depois. “Em breve haverá uma Cúpula daqueles que vencemos o câncer. A Dilma vai comandar”, brincou Chávez.

Há um ano, logo após a morte do marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, vítima de uma fulminante parada cardiorrespiratória, a popularidade de Cristina Kirchner subiu 20 pontos. Há apenas 19 dias, Cristina Kirchner iniciou o seu segundo mandato, depois de obter uma vitória esmagadora nas urnas.

Ciente de que um apoio popular devido ao estado de saúde pode se traduzir em mais força política, Cristina Kirchner pediu a colaboração de todos. “Peço ajuda não para mim, mas para este país”, clamou a presidente. Ela aproveitou para criticar alguns setores sindicais e empresariais, em alusão às ameaças sindicais de greve para reajustes salariais. Com a empatia popular devido à doença de Cristina, uma greve por reivindicação salarial poderia ter efeito contrário para os sindicatos.

Férias canceladas

Cristina Kirchner avisou aos seus ministros que as férias de janeiro estão canceladas. "Vamos continuar com toda a força de sempre, e os funcionários que queriam sair de férias vão ter que ficar”, anunciou. A líder argentina ainda brincou com o vice-presidente Amado Boudou, que assumirá o Poder Executivo a partir do dia 4. "Cuidado como que você vai fazer, hein!", alertou, esclarecendo que “era uma brincadeira, mas que era sério”.

Na noite de terça-feira, o porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, informou ter sido constatada a "ausência de comprometimento nos gânglios linfáticos e a inexistência de metástase" e acrescentou que o câncer foi detectado em 22 de dezembro, durante a realização de "exames médicos rotineiros de controle".

A presidente argentina, de 58 anos, tem carcinoma papilar no lóbulo direito da glândula tireóide sem metástase. Dentro dos tumores malignos, o câncer de tireóide é o menos agressivo, pode ser tratado apenas com cirurgia, sem necessidade de quimioterapia e com as mais altas chances de cura para um câncer: 95%. A operação de Cristina Kirchner vai acontecer na próxima quarta-feira, 4 de janeiro. A presidente argentina ficará 72 horas internada e o período de repouso deve durar 20 dias.