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Direitos Humanos Honduras Incêndio Morte Penitenciária

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ONU pede investigação independente sobre incêndio em presídio

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Filhos de presidiários mortos no incêndio vão ao necrotério para identificação dos corpos usando máscaras. REUTERS/Jorge Dan Lopez

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos pediu hoje, em Genebra, uma investigação independente sobre o trágico incêndio que provocou a morte de 355 presidiários na penitenciária de Comayagua, em Honduras. O porta-voz Rupert Colville emitiu uma nota lamentando profundamente a morte de tantas pessoas e reivindicou a investigação.


Os Estados Unidos enviaram peritos para colaborar nas investigações sobre as causas do incêndio no presídio hondurenho superlotado. No momento da tragédia, na noite de terça-feira, a prisão de Comayagua tinha 852 presos, o dobro de sua capacidade. Duas versões circulam sobre a origem do drama: um motim ou uma briga entre os detentos.

Os peritos americanos enviados a Honduras fazem parte da equipe internacional da Agência de Controle de Álcool, Tabaco, Armas e Explosivos dos Estados Unidos (ATF), especializada em grandes incêndios e explosões. Eles vão entrevistar sobreviventes, fazer a reconstituição dos fatos e buscar indícios materiais que possam justificar a origem do fogo. Foi o próprio presidente hondurenho, Porfírio Lobo, que pediu a ajuda técnica ao Departamento de Estado americano.

Identificação dos corpos será lenta

A identificação dos corpos começou nesta quinta-feira, após a chegada de três contêineres contendo os restos das vítimas no Instituto Médico Legal da capital, Tegucigalpa. Médicos de outros países foram chamados para ajudar no difícil trabalho de identificação, já que a maioria dos corpos está carbonizada.

A França enviou especialistas em queimaduras e também médicos legistas. O processo de identificação será longo, informou o ministério hondurenho de Segurança Pública. Famílias das vítimas que acompanham o trabalho do lado de fora pediram justiça.

As autoridades de Honduras abriram um inquérito para investigar o pior incêndio ocorrido em penitenciárias em todo o mundo nos últimos 10 anos. O presidente Porfírio Lobo decidiu afastar de suas funções os responsáveis pelos serviços penitenciários para garantir transparência no trabalho dos investigadores.

Brasileiro está vivo, diz embaixador

O embaixador do Brasil em Tegucigalpa, Zenik Krawctschuk, informou nesta quinta-feira ter recebido notícias de que o único presidiário brasileiro envolvido na tragédia está vivo. O preso brasileiro cumpre pena na penitenciária de Comayagua por tráfico de pessoas e abuso de menores. O nome do detento não foi divulgado.