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Suspeito em escândalo de corrupção, prefeito de Montreal se demite

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O prefeito de Montreal, Gérald Tremblay, anunciou sua demissão nesta segunda-feira à noite. REUTERS/Christinne Muschi

O prefeito de Montreal, Gérald Tremblay, suspeito de implicação no financiamento ilegal de seu partido, anunciou sua demissão nesta segunda-feira à noite. Ele afirmou ser uma vítima do escândalo de corrupção que abala a principal cidade do Québec.


Aos 70 anos, Gérald Tremblay dirigia a segunda maior cidade do Canadá desde 2001. Seu mandato atual deveria terminar somente em novembro de 2013. Ele anunciou sua demissão em uma declaração transmitida pela televisão na noite desta segunda-feira.

Essa demissão é uma consequência direta das revelações feitas por testemunhas a uma comissão de inquérito que investiga a corrupção na concessão de contratos públicos em Montreal e outras cidades do Québec.

Licitações manipuladas, um cartel controlado por homens de negócios de origem italiana, funcionários públicos corruptos e políticos ligados à máfia: os depoimentos ouvidos por essa comissão confirmaram as investigações realizadas por vários veículos da mídia nos últimos anos.

Na semana passada, um antigo dirigente do partido do prefeito, Martin Dumont, acusou Gérald Tremblay de ter fechado os olhos sobre o financiamento ilegal de seu partido, que teria mantido um caixa dois alimentado principalmente por empreendedores próximos da máfia siciliana.

Dumont afirmou que Union Montreal, o partido de Tremblay, havia organizado uma contabilidade dupla a fim de dissimular a origem duvidosa de certos financiamentos, assim como a utilização real dos fundos.

Ex-responsável pela coleta de fundos do partido, Dumont afirmou ter identificado práticas duvidosas durante uma eleição em 2004. Mas quando o responsável pelas finanças do partido anunciou a ele a existência do caixa dois, na presença do prefeito, este último teria se levantado e dito: " Eu não tenho que saber dessas coisas".

Nesta segunda-feira à noite Gérald Tremblay afirmou que essa cena descrita por Dumont nunca aconteceu. Mas ele reconheceu que desde sua chegada ao poder em 2001, o diretor geral da cidade o havia informado dos boatos sobre envelopes com dinheiro que circulavam nos diferentes departamentos da prefeitura.

"Perguntei o que ele havia feito. Ele respondeu que havia exigido provas e que não havai recebido nenhuma", disse Tremblay. Ele afirmou ter "agido", ao longo dos anos, a cada vez que foi "informado sobre irregularidades, colusão e corrupção".
 
No início de outubro, um antigo empreendedor da construção civil, Lino Zambito, disse à comissão ter sido obrigado a depositar 3% do valor de contratos obtidos por sua empresa em Montreal ao partido do prefeito, ou seja, mais do que era obrigado a pagar à máfia, que exigia somente 2,5% do valor dos contratos.

Segundo dois ex-engenheiros da cidade de Montreal, que disseram ter recebido cada um entre 500 e 600 mil dólares canadenses em propinas durante suas carreiras, todo mundo sabia sobre a corrupção na prefeitura.