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Edward Snowden Venezuela Nicarágua asilo político Crise

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Venezuela e Nicarágua poderão conceder asilo político a Snowden

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O ex-consultor de informática Edward Snowden continua vivendo no aeroporto de Moscou REUTERS/Glenn Greenwald

A Venezuela e a Nicarágua sinalizaram neste sábado que poderão aceitar o pedido de asilo político do ex-consultor da NSA, agência nacional de segurança americana, que revelou a existência de dois programas de monitoramento de dados eletrônicos do governo americano. Snowden está há 14 dias bloqueado no aeroporto de Moscou.


Durante uma entrevista nesta sexta-feira, o presidente venezuelano Nicolas Maduro afirmou que poderia conceder "asilo humanitário" a Snowden, para protegê-lo da "perserguição do império mais poderoso do mundo", se referindo aos Estados Unidos. Já o chefe de estado da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que, se as circunstâncias permitissem, seu país receberia Snowden "com grande prazer."

O técnico em Informática de 30 anos é acusado de espionagem, depois de revelar a existência de dois programas do governo de acesso de dados privados nos servidores de empresas como Google, Facebook, Microsoft, Twitter entre outras. No início da semana, Snowden depositou um pedido de asilo em 21 países, entre eles o Brasil, que se negou a recebê-lo. Mas até agora não havia obtido nenhuma resposta concreta.

O site WikiLeaks, que apoia o consultor, anunciou nesta sexta-feira ter entrado com pedido em outros seis países. A situação também está ficando complexa para as autoridades russas, que temem complicar ainda as relações já tensas com os Estados Unidos. No Twitter, o chefe da comissão das Relações Exteriores da Câmara Baixa do Parlamento russo, Alexeï Pouchkov, estimou que a Venezuela seria a melhor solução, já que o país tem um conflito aberto com os Estados Unidos. A Rússia, mesmo que tenha negado extraditar Snowden, não está interessada em autorizá-lo a ficar no país.

Viagem pode gerar nova crise diplomática

Difícil é saber como Snowden conseguiria driblar os serviços de segurança americanos, e chegar são e salvo em um dos países dispostos a ajudá-lo. Não existe voo direto entre Moscou e Caracas, e ele seria obrigado a fazer uma escala. Essa correspondência poderia gerar uma situação semelhante à vivida pelo presidente boliviano Evo Morales, acusado por engano de ter Snowden a bordo. O chefe de estado, proibido de sobrevoar o espaço aereo da França, Espanha e Portugal, teve que aterrissar em Viena e esperar 12 horas para poder voltar ao país. O caso gerou uma crise diplomática entre a América Latina e os países europeus, que se desculparam pelo erro.