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Onda de crianças clandestinas é quebra-cabeça trágico para os EUA

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Crianças clandestinas dormem em um centro na Califórnia, depois de terem sido presas tentando entrar nos Estados Unidos. Reuters

O movimento em massa de populações do México e América Central que tentam chegar aos Estados Unidos para escapar da pobreza e da violência registra um fato mais dramático ainda: milhares de crianças sozinhas tentam atravessar a fronteira do sul do país e muitas acabam sendo presas. Nesta sexta-feira (20), o vice-presidente norte-americano Joe Biden encontra os presidentes da Guatemala, El Salvador e Honduras para discutir o problema.


Joe Biden quer passar a mensagem aos pais das milhares de crianças que, obedecendo às suas ordens, fogem sozinhas rumo à fronteira dos Estados Unidos, onde se tornam alvo de gangues de criminosos e traficantes. Um verdadeiro quebra-cabeça para os Estados Unidos, onde mais de 47 mil crianças estão detidas, muitas delas com menos de cinco anos de idade. Um grande número de adolescentes também foi registrado.

Biden espera "culpabilizar" as famílias que enviam os menores para um destino incerto, à mercê das gangues e traficantes, e com uma chance mínima de conseguir encontrar parentes que vivem em solo americano.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados estima que 47.017 crianças estão detidas em 2013, o que representa 92% a mais do que ano anterior. As crianças clandestinas vêm de Honduras, México, Guatemala e El Salvador. Desde outubro de 2011, o governo americano registrou um aumento excepcional de crianças não acompanhadas nesta situação. Interrogadas pelo Alto Comissariado da ONU, elas responderam a duas perguntas: por qual motivo deixam seus países e se precisam de uma proteção internacional. A conclusão é que a maioria necessita realmente de uma proteção: 58% foram obrigadas a fugir devido a maus tratos e ameaças familiares.

Carta de residente

O governo americano acredita que um dos motivos reais que levam as famílias e mandar seus filhos aos Estados Unidos é o rumor de que estariam sendo dadas cartas de residente às crianças que entrarem no território até o final de junho de 2014. Na realidade, trata-se de um documento de convocação ao Tribunal para a Imigração enviado aos migrantes que já se encontram no país.

O centro de detenção da Califórnia e o centro que acolhe refugiados em situação de urgência estão superlotados. Milhares de crianças dormem em celas, em caminhas ou no chão, protegidas por cobertores da Cruz Vermelha. O centro foi aberto à imprensa na semana passada e a baixa idade das crianças chocou os jornalistas.