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Estados Unidos Cuba Barack Obama Raúl Castro Cúpula das Américas Encontro

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Barack Obama e Raúl Castro viram a página da Guerra Fria

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Raúl Castro (esquerda) e Barack Obama durante o encontro bilateral neste sábado, 11 de abril de 2015. Jonathan Ernst/Reuters

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, dialogaram neste sábado (11), no Panamá, em um encontro bilateral sem precedentes entre líderes dos dois países desde 1956. A reunião privada durou cerca de uma hora e marcou o início de uma nova era nas relações entre os dois países inimigos desde a Guerra Fria (1953).
 


"A minha mensagem é de que a Guerra Fria terminou", disse Obama, ao final do que chamou de "discussão franca e frutífera" com o presidente cubano. Os governos americano e cubano continuarão a ter divergências, destacou o líder da Casa Branca. "Vamos insistir nas questões de direitos humanos e de respeito às regras democráticas", alertou, "mas isso não nos impede de avançar nos interesses comuns", explicou Obama. Ele acrescentou que a maioria dos americanos são favoráveis à normalização das relações com Cuba.

Antes do encontro a portas fechadas, à margem da 7ª Cúpula das Américas, Castro e Obama falaram brevemente com os jornalistas presentes. Obama agradeceu o cubano por sua "abertura" e disse que "ao longo do tempo, é possível seguir em frente e desenvolver uma nova relação [...] mesmo que tenhamos diferenças profundas e importantes".

Paciência

"Queremos falar sobre tudo, mas temos de ser pacientes, muito pacientes", disse Castro. "A história dos nossos países foi complicada, mas estamos dispostos a avançar", acrescentou. Mais cedo, os dois chefes de Estado haviam comemorado o retorno de Cuba ao cenário político regional depois de décadas de isolamento.

"Evento histórico"

Falando perante 35 líderes latino-americanos reunidos na Cidade do Panamá, Obama disse que a aproximação entre Washington e Havana marcou um "ponto de mudança" para as Américas: "Só o fato de que o presidente Castro e eu estejamos sentados aqui, hoje, é um evento histórico", disse Obama.

"Homem honesto"

Em um longo discurso, Castro relatou a interferência das sucessivas administrações americanas nos assuntos cubanos e latino-americanos. Mas elogiou a integridade do atual presidente dos Estados Unidos, chamando-o de "homem honesto" e expressou seu desejo de avançar em um "diálogo respeitoso" e uma "coexistência civilizada", apesar de "diferenças profundas entre os dois países".

A mão do papa

O encontro de hoje consolida uma reaproximação anunciada no dia 17 de dezembro passado, após 18 meses de negociações sigilosas, com a mediação do papa Francisco.

Embargo

Castro insistiu para que Obama resolva rapidamente a questão da suspensão do embargo comercial à ilha. O democrata lembrou que a medida depende da aprovação do Congresso. A Câmara dos Representantes e o Senado, dominados pela oposição republicana, estão divididos sobre o assunto.