rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

México Violência jornalista Liberdade de imprensa

Publicado em • Modificado em

Jornalista ameaçado e quatro mulheres são mortos no México

media
Rubén Espinosa, em foto de janeiro de 2014. REUTERS/Stringer

Os corpos de cinco pessoas, com as mãos amarradas por fitas adesivas e com sinais de tortura, foram localizados em um apartamento de um bairro de classe média na Cidade do México, informaram neste sábado (1) as autoridades locais. Uma das vítimas era um repórter fotográfico que recebia ameaças em Veracruz, a cidade mexicana mais violenta para o exercício do jornalismo.


Uma porta-voz da organização de defesa da liberdade de imprensa Artículo 19 revelou a identidade do profissional. Segundo a ONG, trata-se de Rubén Espinosa, um fotógrafo que se tinha se mudado há dois meses para a capital mexicana para fugir de ameaças de morte que recebia em Veracruz, no leste do país. Ele havia procurado apoio da organização em busca de proteção.

Espinosa, 31 anos, trabalhava para a agência AVC Noticias e era correspondente na cidade para a prestigiosa revista Proceso e a agência Cuartoscuro. Todas publicaram notícias sobre a morte do jornalista, exigindo “justiça”.

"Os corpos das vítimas correspondem a quatro mulheres e um homem que morreram por disparo de arma de fogo", informou o Ministério Público da cidade em um comunicado. As autoridades que investigam o caso não informaram o provável motivo dos assassinatos.

Mulheres seriam amigas do jornalista

Quanto às mulheres, a identidade delas não foi revelada. Uma seria uma empregada doméstica. Os cadáveres foram descobertos por uma mulher que vivia no local e chegou ao apartamento por volta das 20h (horário local). A polícia foi advertida do crime por vizinhos do imóvel.

Segundo a porta-voz da ONG, Espinosa não vivia no prédio – ele estava no local para uma reunião. As outras vítimas seriam amigas dele e não exerciam atividades jornalísticas, conforme a fonte.

Desaparecido

A Artículo 19 havia alertado na sexta-feira, nas redes sociais, sobre a falta de notícias do repórter. A entidade reúne informações para averiguar se o crime tem relação com a profissão da vítima e pede que a polícia considere essa hipótese nas investigações. Em 2013, Espinosa havia sido agredido por policiais estatais e desde então, disse que preferia se “autoexilar” a sofrer novas represálias.

O México é atingido por uma onda de violência ligada ao narcotráfico, que já deixou mais de 100 mil mortos e 22 mil desaparecidos desde 2006, quando o governo lançou uma operação militar contra o crime organizado. Corpos encontrados com sinais de tortura geralmente são ligados a ajustes de contas do narcotráfico, principalmente no norte do país.

No entanto, esses casos são raros na Cidade do México, que em geral fica à margem desse tipo de violência. Já Veracruz é a cidade que mais registra atos de violência contra jornalistas, com 13 mortes desde 2010.