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Depois de receber honoris causa, Morales se alia a Hollande para COP 21

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O presidente francês, François Hollande (direita), recebe livro oferecido pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, depois de uma reunião no Palácio do Eliseu, em Paris. REUTERS/Philippe Wojazer

O presidente francês, François Hollande, e seu colega boliviano, Evo Morales, defenderam nesta segunda-feira (9), em Paris, o combate à pobreza e às mudanças climáticas. Durante encontro no Palácio do Eliseu, Hollande e Morales assinaram acordos nas áreas de desenvolvimento e luta contra o tráfico de drogas. No sábado (7), Morales recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Pau (sudoeste).


Em uma declaração conjunta, Morales afirmou que transmitiu a Hollande as conclusões da Cúpula Mundial dos Povos sobre as mudanças climáticas, realizada em La Paz em outubro, e felicitou os esforços do presidente francês, que chamou de "irmão", para obter o sucesso na reunião do clima de Paris (COP 21).

Hollande agradeceu o apoio e destacou a consciência da "importância do problema e dos esforços necessários em termos de transformação de nossas economias, de compartilhar tecnologia e de luta contra as desigualdades".

"Estamos de acordo em unir a luta contra a pobreza e a luta contra o aquecimento. Se não lutarmos contra a pobreza, não poderemos dar segurança energética e elevar o nível tecnológico, indispensável para evitar o uso de energias fósseis", completou o presidente francês. "É um desafio que vai além do clima, um desafio de luta contra as desigualdades e de promoção de um novo projeto de desenvolvimento", ressaltou Hollande.

O governo boliviano também assinou com o grupo Thales a compra de nove radares civis e quatro militares por um montante de 185 milhões de euros. O grupo francês, especializado nos setores aeroespacial, de defesa e segurança, irá construir um edifício de 10,5 m2, que ficará pronto em 2017, e servirá ao controle do espaço aéreo boliviano.

Bolívia terá filial de Agência Francesa para o Desenvolvimento

Em entrevista exclusiva a Braulio Moro, da redação hispânica da RFI, Morales informou que a Agência Francesa para o Desenvolvimento (AFD) vai instalar uma filial na Bolívia e investir 430 milhões de euros no país. Desse total, 200 milhões de euros serão aplicados a curto prazo, enquanto o restante vai acompanhar a instalação da AFD no território boliviano.

Ao comentar a crise política no Brasil, Morales disse ter confiança "absoluta na presidente Dilma Rousseff, no ex-presidente Lula e no Partido dos Trabalhadores".

Crise em 2013

Em julho de 2013, França e Bolívia atravessaram um momento de forte tensão diplomática. Morales retornava de Moscou quando foi obrigado, com sua comitiva, a fazer uma escala forçada na Áustria, depois que França, Portugal e Itália fecharam seu espaço aéreo ao avião presidencial boliviano.

O governo francês suspeitou, de maneira infundada, que Morales transportava em seu avião o ex-agente americano Edward Snowden, alvo da justiça e do governo dos Estados Unidos. Um erro histórico, disse Morales na época. Vendo a besteira, o governo francês se desculpou.

Doutor honoris causa da Universidade de Pau

No sábado (7), Morales recebeu o título de "doutor honoris causa" da Universidade de Pau e dos Países do Adour (UPPA), que fica nos Pirineus. O líder boliviano dedicou a condecoração "aos movimentos sociais que buscam liberar os povos".

Muito aplaudido na cerimônia, que contou com a presença de personalidades como o ex-candidato à presidência François Bayrou (centro) e o eurodeputado ambientalista José Bové, Morales lembrou episódios dos tempos em que foi presidente do poderoso sindicato de produtores de coca ("cocaleros"). Por causa de sua atuação como líder sindical, ele chegou a ser acusado "de ser narcotraficante".

Na presidência desde 2006, Morales bate o recorde de longevidade no poder entre os chefes de estado latino-americanos. No dia 21 de fevereiro de 2016, os bolivianos vão decidir em um referendo se ele poderá concorrer a um quarto mandato. O terceiro mandato de Morales, conquistado com posições críticas em relação à economia neoliberal e à política dos Estados Unidos, termina no início de 2020.