rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Cuba Raúl Castro Economia Socialistas Privatização Reforma

Publicado em • Modificado em

Raúl Castro rejeita privatizações e “terapias de choque” em Cuba

media
Raúl Castro e Barack Obama, durante jogo de baseball em Havana, em março. REUTERS/Carlos Barria

Cuba nunca seguirá "fórmulas de privatização", nem aplicará "terapias de choque" no processo de atualização de seu modelo econômico, disse neste sábado (16) o presidente do país, Raúl Castro, na abertura do 7º Congresso do Partido Comunista. "Cuba jamais pode se permitir a aplicação das chamadas terapias de choque, frequentemente aplicadas em detrimento das classes mais humildes da sociedade", afirmou Castro, diante de milhares de delegados do partido, órgão máximo decisório.


No poder desde 2008, Raúl iniciou um processo gradativo de flexibilização da economia de corte soviético, através de uma cautelosa abertura ao trabalho privado e aos investimentos estrangeiros. O presidente, de 84 anos, justificou o ritmo lento das reformas com o argumento de que o governo não renunciará à ideia de amparar a população de 11,1 milhões de cubanos.

"Essa premissa, que corresponde ao princípio de que ninguém ficará desamparado, condiciona em grande medida a velocidade da atuação do modelo econômico cubano, no qual é inegável a influência da crise econômica internacional e, em particular, os efeitos de bloqueio contra Cuba", afirmou Castro, em discurso transmitido pela televisão cubana.

Economia estatal vai continuar

O líder informou que a economia estatal "continuará sendo a forma principal da economia nacional e do sistema socioeconômico" e que "a empresa privada atuará em limites bem definidos e constituirá um elemento complementar do tecido econômico do país, todo o qual deverá ser regulamentado pela lei". Em sua visita recente a Cuba, o presidente americano, Barack Obama, estimulou a atuação dos "empreendedores" privados que surgiram, após as reformas.

"Não somos ingênuos, nem ignoramos as aspirações de poderosas forças externas que apostam no que chamam de empoderamento das formas não estatais de gestão, com a finalidade de gerar agentes de mudança na esperança de acabar com a revolução e o socialismo em Cuba por outras vias", disse Castro.

No entanto, o presidente advertiu que "as cooperativas, em trabalho por conta própria, e as médias e pequenas empresas privadas, não são em sua essência antissocialistas e contrarrevolucionárias. A enorme maioria daqueles que ali trabalham são revolucionários e patriotas, que defendem os princípios e se beneficiam das conquistas desta revolução", argumentou o presidente cubano.

O chefe de Estado, que deixará o poder em 2018, voltou a insistir no peso que representa para a ilha o embargo vigente desde 1962, apesar da reconciliação política com Washington e da suspensão de algumas restrições de parte do presidente Barack Obama. Ele assegurou, ainda, que "as fórmulas neoliberais que amparam a privatização acelerada do patrimônio estatal e dos serviços sociais, como a educação, a saúde e a seguridade social, nunca serão aplicadas no socialismo cubano".

Sucessão no poder

O Partido Comunista de Cuba (PCC), máximo órgão de decisão, buscará a partir deste sábado resolver a incógnita sobre o rumo que a ilha tomará, após oito anos de flexibilização econômica e de reaproximação política com os Estados Unidos. O PCC instalou a partir das 10h locais seu sétimo congresso, em um ambiente de baixa expectativa de reformas entre os cubanos frente ao entusiasmo externo que gerou o restabelecimento de relações com o inimigo da Guerra Fria.

Os primeiros sinais indicam que, durante o congresso que se reunirá até terça-feira, será feita apenas uma revisão do plano de atualização do modelo econômico de viés soviético, que inclui uma abertura gradual ao trabalho privado, o investimento estrangeiro e a descentralização do Estado. O mandatário Raúl Castro concentra boa parte da atenção por presidir, como primeiro-secretário do partido, seu último congresso à frente do poder.

Castro já antecipou que deixará o cargo em 2018, embora possa continuar influenciando as decisões como dirigente histórico do PCC junto com seu irmão Fidel (89 anos), que apesar de ter deixado o poder em 2006 por motivo de saúde, continua sendo delegado do partido.

Com informações da AFP