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Racionamento de energia na Venezuela pode piorar violência

Por RFI

Nesta segunda-feira (25), entra em vigor na Venezuela o racionamento de energia elétrica. A principal represa do país está abaixo do nível mínimo, problema gerado pelo fenômeno de El Niño. Agora a população deve enfrentar pelos menos 40 dias de cortes no fornecimento de eletricidade.

Elianah Jorge, correspondente da RFI para a Venezuela

Até o próximo sábado, 30 de abril, o chamado pelo governo de “Plano de Administração de Cargas”, que implanta o racionamento elétrico, deve estar vigente em quase todos os estados venezuelanos. A medida drástica busca evitar que o país sofra um apagão geral e sem precedentes. Serão quatro horas diárias de corte no fornecimento de eletricidade, implementados em diversos horários de acordo com as regiões de cada estado.

Hospitais, aeroportos, corpos de segurança e as sedes dos poderes públicos não sofrerão cortes de energia. O racionamento está previsto para ser aplicado por 40 dias, mas pode ser prorrogado, caso o nível da represa de El Guri não suba até maio, início da temporada de chuva.

O principal receio da população é a questão da segurança. Os venezuelanos se perguntam como farão para se proteger da criminalidade agora que faltará energia, impedindo o funcionamento de portões e cercas elétricas. Quem tem recursos investiu na aquisição de geradores elétricos. Outros compraram lanternas, pilhas, comida enlatada. Com esta situação, novos produtos se tornaram escassos: as velas e os fósforos desapareceram do comércio local.

Economia energética bloqueia plano de reativação econômica

A Venezuela já está semiparalisada por causa da falta de matérias-primas para mover a parca produção nacional e, além do mais, o racionamento colide com o plano de reativação da economia proposto pelo presidente Nicolás Maduro.

De acordo com o ministro de Energia e também presidente da empresa fornecedora de eletricidade Corpoelec, Luis Motta Dominguez, foram avaliados aspectos sociais, econômicos e “especiais” do país. O presidente Nicolás Maduro explicou que a represa de El Guri “foi planejada para um tipo de clima há alguns anos e que já não serve para o que está acontecendo atualmente”.

Entre as medidas implementadas estão a redução da jornada de trabalho e o funcionamento por apenas quatro dias de trabalho nas repartições públicas, além da ampliação de feriados com a suposta finalidade de reduzir o consumo elétrico. Em primeiro de maio, o governo vai aplicar um novo fuso-horário também para poupar energia. Maduro pediu para que a população economize eletricidade e que as venezuelanas, extremamente vaidosas, moderem o uso de secadores de cabelo.

Caracas está excluída do plano de racionamento

Causou grande mal-estar a exclusão de Caracas do plano de racionamento elétrico. Muitos venezuelanos se sentiram preteridos e acusam o governo de ignorar as necessidades das outras regiões. A justificativa para Caracas não entrar no racionamento, embora exista um alto consumo energia nesta parte do país, foi o fato de a capital ser a sede do poder público. No interior, são comuns os constantes cortes de energia sem prévio aviso.

De acordo com o ministro Motta Domínguez, “havia muita interrupção não controlada (no interior) e o povo queria estar informado”. Desde 200, a Venezuela vem passando por um plano de redução de consumo elétrico, desde então o problema se agrava sem que outras formas de geração de energia tenham sido implementadas. Além da capital os estados Vargas, Nueva Esparta, Amazonas e Bolívar não terão racionamento. No caso de Amazonas e Bolívar, o consumo nestas regiões é mínimo, tendo em vista que são os estados menos habitados do país.

Muitas pessoas ficaram indignadas com a falta de investimento do governo em um tema tão sério e que afeta diversas funções do país, inclusive a econômica – área na qual o país vai muito mal, sobretudo por causa da queda nos ingressos derivados da venda do petróleo.

Fornecimento para o Brasil continua inalterado

Embora a população venezuelana sofra com os cortes de energia, o fornecimento de eletricidade para a região norte do Brasil continua sem alterações. O convênio assinado há décadas pelos dois países continua vigente e o Brasil paga um valor considerado baixo se considerado o preço pelo qual a energia elétrica foi oferecida para a Colômbia. O mais curioso é que a eletricidade fornecida ao Brasil é gerada pela represa de El Guri, que está abaixo do nível mínimo, e que supre quase toda a Venezuela.
 

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