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Manifestações na Argentina denunciam violência machista

Por Márcio Resende

Enquanto o estupro coletivo sofrido pela adolescente no Rio de Janeiro ainda comove o Brasil, na Argentina, milhares de pessoas vão se manifestar contra a violência machista sobre a mulher. Nesta sexta-feira (3), a marcha "Nem uma a menos" vai elevar as vozes de milhares de mulheres pelas principais praças de todo o país. Também estão previstas manifestações no Uruguai e no Chile.
 

Marcio Resende, da RFI Brasil, em Buenos Aires. 

No ano passado, na sua estreia, a manifestação levou mais de 300 mil pessoas à praça do Congresso em Buenos Aires para pressionar por leis que punam a violência machista. Desta vez, o número em todo o país pode passar de um milhão de pessoas.

"Ni una menos" ou, em português, "Nem uma a menos" é a marcha de protesto contra a violência machista. O homicídio por violência de gênero, chamado de femicídio, é alarmante. No ano passado, 286 mulheres argentinas morreram devido à violência dos homens. Nos primeiros 100 dias deste ano, outros 66 femicídios. Ou seja: a cada 30 horas, uma nova morte.

Por isso, hoje, às 17 horas, horário de Brasília, em Buenos Aires e em outras 120 cidades, milhares de pessoas vão marchar. São esperadas em todo o país cerca de um milhão.

E não são só mulheres, não. O repúdio à violência de gênero é hoje uma bandeira defendida pela sociedade em geral. E quando se fala em violência machista, não é só a física que pode levar à morte, mas também aquela violência silenciosa, mascarada e paulatina que destrói, diminui e traumatiza as mulheres, muitas vezes, desde a infância.

Vários tipos de violência

Além da física e da sexual, as mais extremas, há também a violência social, a psicológica, a simbólica, a econômica e a reprodutiva. Milhares morrem todos os anos por abortos mal praticados, por exemplo.

O Supremo Tribunal tem um departamento de Violência Doméstica. Esse registro revela que 97% das denúncias são de violência psicológica. Em 71% dos casos, o agressor é o companheiro da vítima.

O problema é que esse tipo de violência que não deixa marcas visíveis no corpo, mas na alma, é minimizado pela própria Justiça. Isso é parte da reivindicação da marcha de hoje.

Das 57 mil denúncias recebidas nos últimos seis anos, apenas 22 denúncias foram feitas por vizinhos. Aquela história de "briga de marido e mulher não se mete a colher" muitas vezes favorece o agressor e encurrala a vítima.

Também existe a violência machista de definir como a mulher deve se vestir, de proibir amizade com outros homens, de proibir ver parentes, de atribuir tarefas domésticas, de revistar o celular, de tornar o corpo feminino como um objeto. Ou seja: exercer o poder e o controle de um modo geral.

Origem do movimento inspirado em uma poesia

Os principais impulsores desta iniciativa são jornalistas, escritores, artistas, atletas, políticos e ativistas. Em 95, a poetisa Susana Chávez escreveu um poema com o verso "Nem uma morta a mais". Ela terminou assassinada em 2011 na luta pelos direitos das mulheres.

No ano passado, um grupo de mulheres organizou a primeira marcha inspirada nesse verso "Nem uma a menos". Começou como um protesto feminista divulgado em revistas femininas e nas redes sociais, mas rapidamente foi adotado pela sociedade em geral e até por países vizinhos.

A mobilização começou a partir da indignação com a morte, em 2015, da adolescente Chiara Páez, de 14 anos, supostamente assassinada pelo seu namorado de 16 anos.  E agora a morte de outra adolescente, Micaela Ortega, de 12 anos, volta a comover a Argentina. A menina morreu estrangulada, supostamente por um homem que se passou por um adolescente da mesma idade e marcou encontrou com Micaela pela internet. O caso da adolescente carioca vítima de estupro coletivo também teve repercussão na Argentina. 

Objetivo é pressionar por leis contra a violência machista

O objetivo da marcha é pressionar por leis que previnam, punam e erradiquem a violência machista. Mas também por medidas simples que possam criar consciência nos mais jovens e proteger as mulheres. Por isso, aqui em Buenos Aires, a marcha vai do Congresso à Casa Rosada, sede do governo.

Por exemplo, o governo prevê desenvolver aplicativos para os celulares que funcionariam como uma espécie de “botão antipânico”. O governo também pode levar o assunto às escolas. As crianças podem começar a ver gritos, insultos e ameaças como algo a ser denunciado.
 

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