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Orlando: o massacre na boate Pulse poderia ter sido evitado?

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De acordo com o agente do FBI Ron Hopper, Mateen chamou a atenção dos investigadores 2 vezes, em 2013 e em 2014, sobre seus supostos laços com extremistas islâmicos. REUTERS/Kevin Kolczynski

Como um homem fichado no FBI, conhecido por ser um radical islâmico, pôde adquirir as armas para o massacre da boate gay Pulse, em Orlando, que matou pelo menos 50 pessoas? Dois dias depois do ataque reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, a imprensa americana questiona se a tragédia poderia ter sido evitada.


O americano Omar Seddique Mateen, de 29 anos, de descendência afegã, já havia sido interrogado três vezes pelo FBI. Na primeira, em 2013, ele teve que esclarecer aos agentes comentários que evidenciavam seu radicalismo, feitos no trabalho, mas o FBI nunca conseguiu obter provas de que Mateen havia de fato dado essas declarações. Mateen era agente de segurança na G4S, uma das maiores empresas britânicas do setor.

Um ano depois, o atirador voltou a ser interrogado pelo FBI. Desta vez, os agentes buscavam detalhes de sua relação com Moner Mohammad Abusalha, um americano da Flórida que entrou para o grupo Estado Islâmico antes de morrer em um um atentado suicida, em maio de 2014. Na época, a polícia americana estimou que o contato dos dois homens era “mínimo”, e não constituía uma relação significativa ou uma ameaça”, segundo o diretor do FBI na Flórida, Ronald Hopper.

Em liberdade, sem antecedentes criminais, Omar Mateen tinha duas licenças para porte de armas e pôde adquirir, poucos dias antes do ataque, a pistola e o fusil AR15 utilizados no massacre na boate Pulse, que deixou pelo menos 50 mortos e 53 feridos.

Poucos minutos antes de promover o atentado, o pior tiroteio da história dos Estados Unidos, ele telefonou para o 911, o serviço de emergência dos EUA, para declarar que pertencia ao grupo Estado Islâmico. A próxima etapa da investigação agora deverá determinar se Omar Seddique Mateen agiu sozinho ou recebeu orientações de alguém até decidir cometer o massacre. Os ataques perpretados pelos chamados “lobos solitários”, explicam os agentes, dificilmente podem ser evitados.

O FBI também tenta estabelecer com certeza a ligação entre o grupo EI e o atirador, apesar de o grupo ter reivindicado o atentado. Para o especialista em jihadismo Wassim Nasr, o grupo Estado Islâmico pode ter usado a ação de Mateen sem ter se envolvido diretamente nela. Para ele, o massacre não é comparável ao do Bataclan, no dia 13 de novembro em Paris. “O Bataclan foi um local escolhido pelos jihadistas, enquanto a Pulse foi um alvo escolhido pelo próprio Mateen. Não acho que o Bagdadi, o chefe do grupo Estado Islâmico, tenha acordado um dia e dito: 'Então, vamos atacar a boate Pulse nos Estados Unidos'."

O pai do autor do massacre chegou a afirmar que foi a homofobia que o levou a cometer o crime. O filho teria ficado “chocado” ao presenciar dois homens se beijando na frente de sua mulher e filho, em Miami.

Frieza do atirador assustou testemunhas

Dois dias depois do ataque, os detalhes da ação do atirador e a maneira como ele agiu friamente, impressionam. “Ele passava na frente de cada vítima no chão e atirava em cima, para ter certeza de que estava morta”, explicou uma das testemunhas na saída do hospital de Orlando. Para prestar homenagem às vítimas, diversas pessoas foram às ruas de Orlando. Os moradores da cidade também se reuniram em uma igreja neste domingo, na presença do governador da Flórida, Rick Scott. A associação de defesa dos direitos da comunidade LGBT Equality Florida vai organizar um evento à beira do lago Eola.