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Venezuela Petróleo Crise Nicolás Maduro Energia

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Venezuela perdeu 40% das receitas do petróleo em 2015

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Venezuelanos fazem fila para comprar comida em Caracas. REUTERS/Mariana Bazo

As receitas petrolíferas da Venezuela caíram 40,7% no ano passado devido à diminuição dos preços da commodity nos mercados internacionais, informou neste domingo (3) a estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa), em seu balanço anual. A perda de recursos é a principal causa da grave crise econômica que o país enfrenta.


A Pdvsa, a quinta maior companhia petrolífera do mundo, recebeu US$ 72.169 bilhões em receitas no ano passado, um valor que chegava a US$ 121.895 bilhões em 2014.

"O preço médio da cesta venezuelana de petróleo se localizou em US$ 44,65 o barril, afetado principalmente pela queda mantida durante os anos de 2014 e 2015", afirma o documento. No primeiro semestre deste ano, o valor do petróleo venezuelano intensificou a queda, com uma média de US$ 31,15 por barril, indicou o ministério do Petróleo e Mineração em seu relatório semanal, na última sexta-feira.

Com as maiores reservas de petróleo e gás do planeta, a Venezuela obtém 96% de suas divisas das exportações de hidrocarbonetos, razão pela qual a queda do petróleo atinge fortemente sua economia. Isso agravou uma crise que se reflete na escassez de 80% de alimentos e remédios, e em uma inflação de 180,9% em 2015, índice que deve chegar a 720% em 2016, segundo o FMI.

Fim do racionamento de energia nesta segunda-feira

O governo da Venezuela suspenderá a partir de segunda-feira (4) os racionamentos de energia impostos desde fevereiro, após recuperar sua reserva hidrelétrica. O anúncio foi feito pelo presidente Nicolás Maduro, na sexta-feira (1º).

"A partir da segunda-feira, fica sem efeito o Plano de Administração de Carga (cortes do serviço) e a operação será normalizada durante as 24 horas [do dia]", destacou Maduro, durante um ato em Caracas.

As medidas de racionamento foram adotadas por causa da pior seca que a Venezuela enfrentou em 40 anos, pelo fenômeno El Niño. A situação gerou uma severa crise elétrica que levou o governo a impor apagões em quase todo o país, reduzir drasticamente a jornada de trabalho no setor público e antecipar em 30 minutos o horário oficial.

O presidente não informou se o setor público voltará a trabalhar em horário normal. Maduro lembrou que a Venezuela esteve a "seis dias de um colapso" no sistema elétrico, mas que com o início da temporada de chuvas, a emergência foi se dissipando.

Acusações de sabotagens da oposição

Durante a crise energética, o governo denunciou um plano de sabotagem de parte da oposição, que deixou pelo menos três mortos. As vítimas foram três homens, que morreram eletrocutados, denunciou na semana passada o ministro de Energia Elétrica, Luis Motta.

Os adversários de Maduro, que fazem campanha para um referendo revogatório, negaram as tentativas de sabotagem e culparam pela emergência o governo pela corrupção e a falta de manutenção da infraestrutura. Além do fim dos racionamentos, o chefe de Estado anunciou um plano para substituir dois milhões de aparelhos de ar condicionado por sistemas similares que gastem menos energia.