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Protestos violentos continuam em Milwaukee após polícia matar negro

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Comunidade negra protesta em Milwaukee REUTERS/Aaron P. Bernstein

Uma multidão indignada apedrejou no domingo (14) pela segunda noite consecutiva carros da polícia e incendiou lojas na cidade norte-americana de Milwaukee, no Wisconsin, depois que a polícia matou no sábado (13) um homem negro armado que tentava fugir.


A polícia anti-distúrbios foi mobilizada no bairro de Sherman Park às 23h de domingo (1h da segunda-feira em Brasília) para dispersar uma multidão revoltada e restaurar a ordem.

Esse último incidente de violência ocorreu depois que vários policiais americanos foram alvos de ataques fatais, como represália pela morte de negros desarmados por policiais brancos.

Na madrugada de sábado para domingo, a polícia informou que precisou dispersar 200 manifestantes e que alguns tiros foram ouvidos durante os distúrbios.

Um policial foi levado ao hospital com um ferimento na cabeça depois de ter sido atingido por um tijolo. Os manifestantes também quebraram os vidros de um carro de patrulha que estava vazio e atearam fogo a outro veículo oficial.

"Os oficiais continuam recebendo pedradas enquanto tentam dispersar pequenos grupos de revoltosos na área de Sherman e Burleigh", disse a polícia no Twitter, acrescentando que veículos armados foram mobilizados para proteger os agentes. Ao menos 17 pessoas foram presas.

Governador aciona a Guarda Nacional

O governador do Wisconsin, Scott Walker, acionou a Guarda Nacional no domingo, depois de coordenar ações com funcionários estatais de alto escalão. O protesto começou, segundo a polícia, depois que duas pessoas interceptadas em um carro fugiram a pé.

"Na perseguição, um agente abriu fogo contra um suspeito armado com uma pistola semiautomática, que morreu na hora", disse em um comunicado o Departamento de Polícia de Milwaukee.

Trata-se de Sylville Smith, de 23 anos, com uma ficha criminal volumosa, de acordo com informações oficiais, ressaltando que a pistola que carregava havia sido roubada em março.

O prefeito da cidade, Tom Barrett, disse que o suspeito recebeu dois tiros, um no peito e outro no braço.

O incidente desencadeou um protesto e, durante a madrugada de sábado para domingo, a situação se deteriorou e saiu do controle, indicou Barrett.

No início dos confrontos, a multidão ateou fogo a um posto de gasolina, a um banco, a uma loja de cosméticos e a outra de peças de automóveis, segundo o Milwaukee Journal Sentinel, um jornal dessa cidade situada 130 km ao norte de Chicago.

Assassinato de policiais em represália

"Há muita, muita gente boa que vive nesta área que não quer estar diante desta violência e quer que a ordem seja restaurada", disse Barrett a repórteres enquanto pedia o retorno da calma.

Esses incidentes ocorreram em um contexto de tensão por uma série de mortes nos últimos tempos de negros desarmados nos estados de Minnesota e Louisianna.

Essas agressões também desencadearam o assassinato de vários policiais em aparentes atos de represália em cidades como Dallas, no Texas, e Baton Rouge, em Louisianna.

O vereador Khalif Rainey, que representa a área de Milwaukee, na qual foram registrados os distúrbios, disse que os moradores negros de Milwaukee enfrentam outros problemas, como a pobreza e o desemprego.

"A comunidade inteira viu e foi testemunha de como a cidade se converteu no pior lugar para os americanos negros viverem no país inteiro", disse.

"Perdi meu irmão"

"Perdi meu irmão. Não posso mais vê-lo. Nunca. Nunca. Isso dói. Realmente dói", disse a irmã mais nova de Smith, Sherelle, inconsolável, durante uma vigília. "Não poderei mais olhar para meu irmão nos olhos e dizer 'te amo'. Nem mesmo tinha Facebook para dizer ao meu irmão que o amava".

O prefeito Barrett enfatizou que Smith carregava uma arma semiautomática, que é claramente visível em imagens feitas pela câmera de um policial no procedimento.

"Essa foto demonstra sem nenhuma dúvida que ele tinha uma arma na mão, e quero que nossa comunidade saiba disso", disse o funcionário.

O policial que atirou em Smith também era negro, segundo o chefe da polícia de Milwaukee, Edward Flynn. Temendo por sua segurança, o oficial está fora da cidade e foi colocado em ausência administrativa, como ocorre nestas situações.

Pedindo calma, Barrett advertiu que a cidade ainda vive "uma situação muito volátil".

O presidente Barack Obama foi informado dos incidentes por um assessor, que falou com Barrett para oferecer o apoio da administração, anunciou a Casa Branca.