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Haiti Furacão Matthew Cólera

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Depois de furacão Matthew, Haiti registra mais de 800 casos de cólera

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Uma criança bebe água em um abrigo em uma igreja semi-destruída, em 18 de outubro de 2016 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou nesta quarta-feira (19) que houve um forte aumento dos casos de cólera no Haiti, uma semana depois da passagem do furacão Matthew. Mais de 175 mil pessoas ainda estão vivendo em abrigos temporários.


Segundo a OMS, 773 casos de cólera foram detectados no país entre 9 e 15 de outubro. Desse total, 464 aconteceram no sul e 167 no departamento da Grand'Anse, um dos mais afetados pelo fenômeno. O Haiti enfrenta uma epidemia de cólera desde 2010, quando foi atingido por um forte terremoto. No ano seguinte, já havia 300 mil casos, que foram diminuindo pouco a pouco até permanecer na casa dos 30 mil, nos últimos anos. Mas a destruição deixada por Matthew e suas consequências sanitárias podem agravar novamente esse quadro.

O representante da OMS no Haiti, Jean-Luc Poncelet, calcula que 1,4 milhão de pessoas necessitam de assistência médica atualmente. "Mais de 200 mil vivem em zonas montanhosas do país, que são de difícil acesso", diz o médico. A lentidão da ajuda humanitária e a falta de alimentos têm levado a população ao desespero.

Haitianos entre êxodo e reconstrução

No vilarejo Chabet, em Roche-à-Bateau, a população observa impotente o que chama de "cemitério de coqueiros" ao longo da costa que teve todas as casas destruídas. A pergunta sem resposta é a seguinte: "Abandonamos a região ou recomeçamos do nada?" Hilaire Servilius, um homem vestido com uma camisa rasgada, diz que não resta mais nada, nem mesmo roupas para se trocar. "Nasci aqui, passei toda a minha vida, mas agora só me resta ir embora", ele desabafa.

No entanto, mesmo o êxodo é complicado pois, como Hilaire, ninguém tem dinheiro para pagar qualquer tipo de transporte para a cidade.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve recentement no Haiti e lamentou a destruição que tirou a vida de 500 pessoas. Na segunda-feira (17), a ONU lançou um apelo de urgência para reunir US$ 120 milhões para cobrir as necessidades das vítimas nos próximos meses. Mais de 175 mil pessoas ainda estão vivendo em abrigos temporários.

Evitar uma nova crise sanitária e alimentar é a preocupação das autoridades do Haiti e de instituições como a ONU, e um verdadeiro desafio para um país que teve cidades e vilarejos totalmente destruídos. Atualmente, cerca de 1,4 milhão de pessoas necessitam de ajuda humanitária urgente.