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Eleição presidencial Haiti Furacão Matthew

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Ainda devastado pelo furacão Matthew, Haiti vai às urnas escolher presidente

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Algumas regiões do Haiti ainda não se recuperaram da passagem do furacão Matthew REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O primeiro turno das eleições presidenciais do Haiti, disputado por 27 candidatos, será realizado neste domingo (20), em um país mergulhado em uma profunda crise e devastado pelo furacão Matthew. A nação mais pobre das Américas está sem presidente desde fevereiro.


A eleição deste domingo deveria ter sido realizada em 25 de outubro de 2015. Mas devido a fraudes, que mergulharam o país em uma nova crise constitucional, o pleito, que contava com 54 candidatos, foi adiado para 9 de outubro deste ano. Porém, o voto teve que ser cancelado novamente por causa da passagem do furacão Matthew, que devastou o sul do Haiti e deixou mais de 500 mortos.

Michel Martelly terminou seu mandato em 7 de fevereiro, sem passar o poder para um presidente eleito. O Parlamento escolheu o titular do Senado, Jocelerme Privert, como interino por três meses, mas o país, tão dividido e com instituições tão frágeis, não conseguiu reorganizar as eleições nesse prazo.

Entre os candidatos à presidência, apenas alguns fizeram campanha e quatro se apresentam como favoritos. Um dos principais é Jovenel Moïse, que venceu a votação anulada de 2015. Também se apresentará novamente seu principal adversário, Jude Célestin, que chegou em segundo na votação do ano passado.

Disputarão, ainda, o candidato Moïse Jean-Charles, senador rival de Martelly e que participou regularmente das manifestações opositoras, e Maryse Narcisse, uma das duas mulheres que brigam pela Presidência. Ela gera particular interesse, pois esteve ao lado do ex-presidente Jean Bernard Aristide, que foi expulso em meio a uma revolta armada, apesar de ainda gozar de grande popularidade.

Apenas 25% dos eleitores foram às urnas em 2015

Os 6,2 milhões de eleitores haitianos mostraram pouca motivação nas eleições de 2015, e apenas 25% deles foram às urnas na época. Desta vez, para tentar incentivar a população, até mesmo as Nações Unidas pediram a mobilização dos eleitores. “As pessoas têm que fazer tudo para colocar os problemas de lado e exercer seu direito de voto”, declarou Sandra Honoré, chefe da Minustah, a missão da ONU no Haiti.

Em um país onde mais da metade de seus habitantes têm menos de 20 anos, poucos jovens se interessam pela política nacional. Ante um desemprego endêmico, muitos preferem migrar ilegalmente para outros países no continente americano.

Agricultura, um dos poucos motores da economia, foi destruída pelo furacão

O Haiti sofre com uma inflação superior a 10% e uma dívida interna que supera os US$ 2 bilhões. O país viu boa parte de sua agricultura, o único setor com certo dinamismo, totalmente destruída pelo furacão Matthew.

Desde a catástrofe, os sobreviventes vivem em situação de extrema precariedade. Segundo Stefanie Schüler, enviada especial da RFI ao país, no departamento de Grand’Anse, o mais atingido pelos ventos, muitas regiões continuam totalmente destruídas e a população vive até hoje em meio aos destroços.

Todos os 27 candidatos à presidência prometeram programas de reconstrução para as zonas devastadas pelo furacão.