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Feliz Kwanzaa! O Natal da comunidade afro-americana

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Wikimedia Commons

Há 50 anos celebra-se nos Estados Unidos, no dia 26 de dezembro, o Kwanzaa. Uma festa de confraternização da comunidade afro-americana, que hoje integra o calendário de eventos oficiais do país.


Foi em 1966, no auge dos conflitos raciais que varreram os Estados Unidos, que surgiu a festa do Kwanzaa como resposta da comunidade afro-americana às festas de fim de ano impostas pela sociedade branca judaico-cristã.

A festa, inteiramente laica, foi inventada por Maulana Karenga, nascido Ronald Everett, líder da organização revolucionária negra Us (Nós, em português) rival dos poderosos Black Panthers. Em oposição aos Panthers, famosos por seu visual viril e militarista (com boinas, casacos de couro e óculos de sol), os membros da Us adotaram costumes tradicionais africanos como a roupa colorida e o suahíli (a língua mais falada na África) como língua oficial do movimento. Daí, Kwanzaa, que em suahíli quer dizer “primeiros frutos”.

Celebrado durante sete dias a partir de 26 de dezembro, o Kwanzaa empresta alguns elementos das tradições que ele mesmo renega. Há um candelabro de sete velas, como a menorá hebraica, e a tradição de se oferecer presentes para as crianças, ainda que, em oposição ao consumismo, nada deva ser comprado (com exceção de livros) e, se possível, o presente deva ser feito à mão.

Os preceitos do Kwanzaa

Sete preceitos definem a celebração do Kwanzaa inspirada na “filosofia da comunidade pan-africana” elaborada por Karenga: umoja (unidade), kujichagulia (autossuficiência), ujima (o trabalho e a responsabilidade coletiva), ujamaa (cooperação econômica entre os negros), nia (determinação), kuumba (criatividade) e imani (a fé na comunidade).

Na década de 1970, quando o Us entrou em guerra fratricida contra os Black Panthers, o Kwanzaa caiu em decadência como o seu fundador, Karenga, que acabou condenado a quatro anos de prisão por torturar mulheres que, segundo ele, tentavam lhe envenenar.

Na década seguinte, com ascensão da classe média negra nos Estados Unidos, cada vez mais politizada, o Kwanzaa voltou a atrair a atenção dos afro-americanos. Karenga saiu da penitenciária e, mais acomodado à nova situação da década, permitiu que as famílias afro-americanas celebrassem o Kwanzaa sem ter que abrir mão do Natal cristão.

Em 1990, o jornal The New York Times já estimava que 13 milhões de afro-americanos celebravam o Kwanzaa todos os anos. Bill Clinton foi o primeiro presidente norte-americano a desejar um Feliz Kwanzaa, assim como Feliz Natal para os cristãos e Feliz Hanucá para os judeus. A tradição tem sido mantida até os dias de Barack Obama, mas, com o novo hóspede da Casa Branca, Donald Trump, os afro-americanos podem perder o reconhecimento oficial da sua festa.