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Índios americanos viram advogados para defender seus ancestrais

Por Silvano Mendes

A revista M do jornal Le Monde desta semana traz uma longa reportagem sobre a nova geração de índios norte-americanos, que continuam defendendo seu território. No entanto, os descendentes dos nativos deixaram as armas artesanais de lado e se tornaram advogados para combater a ambição do homem branco nos tribunais.

O texto explica que 200 anos após a conquista do Oeste, os índios dos Estados Unidos continuam lutando, pois suas terras ainda são cobiçadas. Afinal, lembra Le Monde, “nas vastas planícies ainda há muito espaço para construir oleodutos, implementar vias férreas, e encontrar gás, carvão ou água, o ‘ouro branco’ que tanto faz falta nessa região do país”.

A reportagem se interessou por um grupo de jovens advogados, descendentes dos índios americanos e formados nas grandes universidades do país, que se especializaram na defesa dos direitos dos povos indígenas. Um dos exemplos é o do escritório aberto em Seattle por Gabriel Galanda, Bree Black Horse e Amber Penn-Rocco, que acumulam processos contra grandes empresas ou contra o poder público.

Um dos exemplos apontados pela reportagem foi a luta contra a companhia ferroviária Union Pacific, que pretendia duplicar os trilhos que passam pelo condado de Wasco, no Oregon. Graças aos esforços de Amber Penn-Rocco, advogada descendente dos chehalis, o projeto de construção foi interrompido. “Os membros da tribo ainda caçam, pescam e se reúnem na região e a extensão da linha férrea ameaçava o acesso a esses locais tradicionais”, explicou a jovem durante sua defesa.

Outro caso de mobilização recente dos índios foi a campanha lançada contra a Dakota Access Pipeline, empresa que pretendia instalar oleodutos em uma reserva dos Lakotas. Mesmo se os nativos perderam o processo na justiça, o grupo conquistou o apoio popular. Em seguida, “a vitória veio por meio de um gesto político da administração Obama”, que preferiu encerrar o caso antes da chegada de seu sucessor no poder, analisa Le Monde.

Máscaras com pagamento

Uma das particularidades do escritório de Seattle é que os advogados são remunerados apenas se eles ganham as causas e se os clientes recebem indenizações. O texto relata que alguns membros das tribos, que não podem pagar os honorários dos advogados, oferecem máscaras de madeiras e cobertores artesanais para agradecer seus defensores. Alguns desses artefatos podem ser vistos expostos no escritório de Gabriel Galanda.

Além dos interesses comerciais, essa nova geração de advogados também se especializou em defender os direitos dos membros das comunidades indígenas vítimas de preconceito. Como o caso de um homem, que afirma ter sido maltratado durante sua estadia em um hospital em 2011. Cego, ele afirma ter sido insultado por um funcionário do local, que teria feito escarificações de teor racista em seu corpo, com os três “K” do grupo de defesa da supremacia branca Ku Klux Klan. Mas nem sempre os jovens advogados indígenas são vitoriosos, pois nesse caso, o hospital ganhou a causa, relata a revista M do jornal Le Monde.
 

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