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Criminalidade tende a crescer na América Latina com políticas de Trump

Por Márcio Resende

As medidas anti-imigração prometidas pelo próximo presidente americano, Donald Trump, deverão prejudicar vários países da América Latina. O México não será o único a sofrer as consequências. Os países centro-americanos do chamado "Triângulo do Norte", Guatemala, Honduras e El Salvador, serão os mais afetados. Essas são as economias que mais dependem das remessas enviadas pelos imigrantes instalados nos Estados Unidos.

Enquanto o mundo olha para a Síria, bem mais perto do Brasil vive-se a maior crise humanitária da região, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Mais grave do que a crise na Venezuela ou do que os riscos que ainda pairam sobre o acordo de paz na Colômbia.

El Salvador, Honduras e Guatemala formam a região do mundo onde, sem uma guerra declarada, mais se morre. No ano passado, foram cerca de 15 mil mortes. Só para se ter uma ideia, na Colômbia, país que está saindo de uma guerra, houve 12 mil mortes violentas em 2016.

Por trás dessa tragédia, estão bandos de criminosos que disputam território e submetem a população da maneira mais violenta possível. O resultado é uma fuga maciça para os países vizinhos, como México e, principalmente, Estados Unidos.

ONU constata grave crise humanitária na região

Cerca de 10% dos habitantes do "Triângulo do Norte" já emigraram para várias regiões do mundo. De acordo com o Acnur, de janeiro a outubro do ano passado foram registrados 110 mil pedidos de asilo. Um aumento de 150% em dois anos. Porém, o número real de emigrantes é bem maior. Muitos fogem sem documentos ou não pedem asilo por medo de serem deportados. 

Enquanto apenas 2% do PIB mexicano depende das remessas dos emigrantes, na Guatemala, esse dinheiro representa 10% do PIB e em Honduras e El Salvador, 15%.

Entre outubro de 2015 e outubro do ano passado, 409 mil imigrantes ilegais foram presos na fronteira com os Estados Unidos, 23% a mais do que no período anterior. A maioria desses imigrantes era do "Triângulo do Norte" e 202 mil pessoas foram deportadas. Esse número esconde outro drama: cerca de 8 mil eram menores que emigraram sozinhos. As mulheres e as meninas entre 12 e 17 anos são as principais vítimas. Muitas sabem da alta possibilidade de serem estupradas pelo caminho.

Francesca Fontanini, porta-voz da Acnur no México, conta o país tem recebido famílias inteiras de refugiados. Os grupos criminosos tentam recrutar os mais jovens para o crime e as meninas para serem namoradas dos bandidos. Os líderes de gangue cobram uma extorsão mensal daqueles que trabalham. Quem não paga, morre. Quem paga, vai pagar cada vez mais até ficar sem nada. Os jovens não saem mais de casa nem para a escola nem para a igreja.

O resultado é que várias cidades de Honduras, Guatemala e El Salvador começam a ter bairros fantasmas porque todos fugiram. O efeito prático é que a situação na América Central pode ser comparada com a de uma guerra.

Posse de Trump provoca medo e incertezas nos países latino-americanos

Do ponto de vista comercial, o principal alvo de Trump é mesmo o México, que exporta 80% de sua produção aos Estados Unidos. O novo presidente norte-americano já anunciou que vai rever tratados comerciais como o Nafta, de livre comércio com o México e com o Canadá.

As ameaças de deportação maciça de imigrantes ilegais, construção de um muro na fronteira com o México, taxações onde há livre comércio, endurecimento das relações com Cuba e Venezuela, além das dúvidas sobre a continuidade da ajuda econômica à Colômbia apontam para uma relação tensa entre a nova administração americana e a América Latina.

As moedas latino-americanas também devem ter um ano instável. A proposta de Trump de incentivar a expansão econômica pelo lado da política fiscal vai elevar as taxas de juros nos Estados Unidos e reduzir o interesse por moedas da região. Isso complica a situação de países como Brasil e Argentina, que precisam corrigir desequilíbrios fiscais.

No caso do Brasil e da Argentina, há ainda um componente extra: ambos os países estão em recessão e apostam nos investimentos estrangeiros diretos e nas obras de infraestrutura para reerguerem suas economias. O problema é que Trump também quer incentivar as obras de infraestrutura nos Estados Unidos. Se os investidores preferirem investir no território norte-americano, mais seguro e rentável, haverá menos investimentos no Brasil e na Argentina.

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