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Linha Direta
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Trump deverá convencer democratas para votar reformas

O presidente americano Donald Trump sofreu sua maior derrota política em três meses de governo, na última sexta-fdeira (24), com a tentativa frustrada de acabar com a reforma da Saúde implantada pelo governo Obama. 

 

Eduardo Graça, correspondente da RFI em Nova York

Mais do que um ato isolado, a decisão de não colocar em votação na Casa dos Representantes um projeto feito às pressas, que não contava com o apoio dos próprios congressistas republicanos, já é percebido por analistas como um prenúncio das sérias dificuldades do bilionário nova-yorkino de implantar sua radical agenda de reformas.

Será mais complicado para a administração Trump aprovar projetos que animam o mercado, como a reforma fiscal e o pacote de reconstrução da infraestrutura americana. O otimismo em Wall Street, com o índice Dow Jones batendo recordes desde a posse do presidente Trump, é proporcional à percepção de que um presidente republicano, com maioria republicana nas duas casas do Congresso, poderia aprovar o que bem quisesse.

A realidade, entretanto, é bem diferente. O Partido Republicano segue dividido em facções mais ou menos independentes que já se sentem desobrigadas de bater continência a Trump e se mostram abertamente descontentes com posições mais esdrúxulas da Casa Branca, especialmente em relação à política de imigração e à Rússia, com as acusações de Trump de ter sofrido vigilância ilegal do governo Obama durante a campanha presidencial consideradas sem base alguma pelo Congresso.

Divergências com o legislativo já eram esperadas

Trump não era o candidato favorito do partido e desde o início se apresentou como um insurgente, mas anunciou, ao ser eleito, que um de seus primeiros objetivos seria justamente a unificação dos republicanos em torno de sua figura. Não deu certo. Os deputados que se recusaram a votar a favor da chamada Trumpcare na sexta-feira ouviram suas bases, os eleitores que no ano que vem irão renovar toda a Casa dos Representantes, e descobriram que eles temiam a proposta oferecida pela Casa Banca.

Trata-se de um pacote de abono de impostos para os mais ricos disfarçado de reforma da saúde, deixando dezenas de milhares de cidadãos mais pobres sem cobertura médica. A derrota de sexta-feira, de acordo com vários especialistas, conservadores e progressistas, foi um marco na era Trump. Daqui pra frente, eles dizem, tudo vai ser diferente. Trump não só não conseguiu nenhum voto democrata par o Trumpcare como teve de enfrentar a oposição de dezenas de deputados de seu próprio partido.

E a semana começa nesta segunda-feira com um enorme ponto de interrogação: quem é que vai comandar as negociações para a complicadíssima reforma fiscal, próximo item da pauta do governo? O deputado que tem cargo equivalente ao de presidente da Câmara aqui nos EUA, Paul Ryan, não gostou nada da tentativa fracassada da Casa Branca de apresentá-lo como bode expiatório pelo fracasso do fim da Obamacare, e dá sinais de que vai lavar as mãos na batalha fiscal. Muitos deputados governistas, por sua vez, torcem o nariz para um novo código de impostos que na prática isenta de taxação os 1% mais ricos do país. Por outro lado, não ajuda nada a queda na popularidade de Trump, com pesquisas apontando o presidente abaixo dos 40% de aprovação.

Suprema Corte

A votação em torno do escolhido de Trump para a Suprema Corte, o juiz conservador Neil Gorsuch, ainda deve correr de acordo com o desejo da Casa Branca, mas apenas porque senadores da oposição estão se guardando para uma batalha em torno de eventual substituição de um dos juízes liberais da corte. Gorsuch, como se sabe, deve entrar na vaga do falecido juiz ultraconservador Antonin Scalia. Mas aumentou o poder de barganha dos democratas em relação ao projeto de estímulo de infraestrutura, que era considerada a peça de legislação mais óbvia para estabelecer uma ponte da oposição com Trump.

Os democratas mandaram avisar que só aprovarão um texto que inclua considerável gasto público e não apenas isenção fiscal para construtoras e empresas prestadoras de serviço. Não por acaso, o chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, defendeu, em longa entrevista ontem na Fox News, uma aproximação com os democratas moderados para a aprovação dos próximos projetos de lei centrais pra Trump. Com a completa falta de comando no Partido Republicano, ou, como dizem as más línguas, a incapacidade do partido majoritário de governar, os democratas estão encontrando um caminho, até pouco tempo arás considerado impossível, para minar o governo Trump, cada vez mais impopular.
 

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