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Manifestações pró-Macri tentam reverter desgaste do governo

Por Márcio Resende

O mês de março termina com seis grandes manifestações contra o presidente Mauricio Macri, na Argentina. Algumas organizações políticas, simpatizantes da ex-presidente Cristina Kirchner, aproveitam a queda de popularidade de Macri para impulsionar protestos que anunciam uma luta até o fim do governo. Diante do que avaliam como uma estratégia de desgaste e de desestabilização, milhares de pessoas pretendem se manifestar neste sábado (1), mas a favor do presidente e da democracia.

Neste sábado, os argentinos vão marchar até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo, e se reunir em manifestações espontâneas em vários pontos do país. Mais do que um apoio ao governo, as passeatas serão a favor da democracia. O país atravessa um momento em que crescem os protestos com reivindicações legítimas, mas que dissimulam grupos radicais ligados ao kirchnerismo da ex-presidente Cristina Kirchner. Os descontentes visam a desestabilização do governo. A classe média ainda apoia Macri e vai respaldar o presidente nas ruas.

Março foi um mês de pesadelo para o governo, que se tornou um saco de pancadas de sindicatos e grupos de direitos humanos ligados à Cristina Kirchner. Ontem, quinta-feira, num protesto da Central dos Trabalhadores Argentinos, o líder sindical Pablo Micheli disse que os protestos vão continuar até o modelo econômico do governo cair. A leitura é simples: lutar até a queda de Macri.

Há uma semana, no aniversário do golpe militar de 1976, grupos de direitos humanos, pela primeira vez desde o final da ditadura, reivindicaram a luta armada como instrumento político para se chegar ao poder. Disseram que são organizações políticas que apoiam Cristina Kirchner contra Macri. A líder das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, declarou que "Macri é a ditadura".

Trabalhadores convocam greve geral em 6 de abril

Depois de um protesto no início do mês, a Confederação Geral dos Trabalhadores anunciou uma greve geral no dia 6 de abril. Há um mês, os professores da rede pública de várias províncias, sobretudo de Buenos Aires, fazem um movimento de protesto permanente, com greves intermitentes. Eles já realizaram uma marcha que levou 400 mil pessoas à Praça de Maio, e esse conflito tem sido de grande desgaste para o governo. Uma pesquisa do instituto Isonomia mostrou que Macri perdeu 10 pontos de popularidade, nos três primeiros meses do ano, caindo para 49% de aprovação.

Segundo outro instituto de prestígio, o Mangement & Fit, pela primeira vez, desde que assumiu, Macri tem mais argentinos que reprovam o governo do que aqueles que aprovam. A diferença é pouca, mas é mais negativa do que positiva: 44% contra 40%. Quanto às perspectivas, 48% acreditam que a situação econômica vai piorar e só 27% acreditam que vai melhorar. Em relação aos protestos, as opiniões se dividem. Uma metade vê uma reclamação salarial legítima enquanto a outra metade vê basicamente uma luta política para desgastar o governo.

Essas marchas e contra-marchas já fazem parte da campanha política para as eleições legislativas do segundo semestre. O que desperta curiosidade é que Macri é criticado tanto pela esquerda quanto pela direita. A esquerda condena o ajuste na economia, enquanto a direita critica a falta de medidas econômicas.

Resultados positivos sobre a economia demoram a aparecer

A aposta do governo é numa recuperação da economia que se iniciou no último trimestre do ano passado, mas que não se percebe ainda no bolso dos argentinos. O problema é que a paciência está chegando ao limite.

Quando assumiu, Macri disse que a economia começaria a se recuperar e que os efeitos positivos seriam sentidos no segundo semestre do ano passado. O tempo passou, sem o resultado prometido, e o prazo foi adiado para o primeiro trimestre deste ano. Agora, o governo já aponta para o segundo trimestre que começa amanhã.

Enquanto isso, a economia argentina encolheu 2,6% em 2016, o desemprego tocou os 8% e a inflação chegou a 41%. Por enquanto, a população sente apenas o aumento dos preços e a perda do poder de compra.

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