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Moreno lidera segundo turno da eleição presidencial no Equador

O Equador foi às urnas neste domingo (2) para eleger o novo presidente. Com quase 97% da apuração dos votos no país, o candidato governista está na frente com 51,1% dos votos enquanto o candidato da oposição vem logo atrás com 48,8% no segundo turno do pleito.

 

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Uma diferença de apenas 2,2%, mas suficiente para o Equador quebrar uma tendência de governos de direita na região. O Equador não virou de modelo econômico, mas o provável eleito, Lenín Moreno, promete mudar o estilo político a partir de 24 de maio, quando tomar posse. O candidato opositor, Guillermo Lasso, não reconhece a derrota e promete impugnar a contagem dos votos.

Oficialmente, o Equador ainda não tem um novo presidente, mas os números do Conselho Nacional Eleitoral indicam um vencedor: o candidato governista Lenín Moreno, que se auto-proclamou eleito. O presidente Rafael Correa já se mostrou ao lado dele na celebração da vitória, apesar do opositor Guillermo Lasso não ter reconhecido essa vitória. O candidato denunciou a fraude, avisou que vai impugnar a apuração e pedir uma recontagem dos votos.

Lasso disse que já até conversou com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, a quem informou sobre a suposta fraude. De qualquer forma, os números evidenciam a polarização política no Equador, um país dividido praticamente em partes iguais. Aliás, essa é uma tendência em toda a região. Desde 2013, todas as eleições na América do Sul terminaram com uma diferença de, no máximo, três pontos.

Resultado provoca surpresa

Das quatro pesquisas de boca de urna, três deram o opositor Guillermo Lasso como vencedor e apenas uma deu o governista Lenin Moreno ganhador. Poucas horas depois, o resultado oficial pegou muita gente de surpresa.

Desde novembro de 2015, todas as eleições na região foram derrotas governistas e vitórias da oposição. Há 17 meses, todas as eleições significam uma guinada à direita. Se o resultado for confirmado, o Equador acaba de quebrar essa tendência. E a esquerda de Rafael Correa, no cargo há 10 anos, desde 2007, vai continuar agora com Lenín Moreno.

O candidato opositor Guillermo Lasso, um ex-banqueiro, prometeu tirar o país do rumo de se tornar outra Venezuela, como ele alertou, mas não foi suficiente. Vitória do socialismo equatoriano, onde o Estado é o motor de uma economia baseada na exportação de matérias primas, principalmente de petróleo, e derrota da proposta de um modelo de livre mercado.

Novos desafios

Lenín Moreno não terá as vantagens que o presidente Rafael Correa teve. O Equador está em recessão, encolheu 2,1% no ano passado, e em razão da queda do petróleo, o orçamento está bem apertado para manter a política de gasto público que financia programas sociais. O déficit fiscal já supera os 5% do PIB e o governo tem-se endividado muito.

Para se ter uma ideia, o que o Estado gasta com Saúde e com Educação por ano, é praticamente o mesmo que paga de dívida. No Congresso, o poder está agora muito mais dividido do que antes. Dos 137 deputados, os governistas eram 100; agora são 74. Apenas 19% das prefeituras estão nas mãos dos aliados. Das 56 maiores cidades do país, apenas 9 são aliadas ao governo.

Rafael Correa quer voltar a dar aulas

Rafael Correa vai morar na Bélgica, país de sua esposa e onde ele pretende dar aulas. Ele diz quer quer se dedicar mais à família e que não quer interferir no novo governo. Com apenas 53 anos, provavelmente seja candidato em 2021, mesmo que o seu antecessor não tenha feito um bom governo até lá. Já Lenín Moreno foi vice-presidente de Rafael Correa entre 2007 e 2013. Ficou paraplégico em 98 ao receber um tiro durante um assalto.

Moreno promete um estilo diferente. Trocar a confrontação permanente, característica do presidente Rafael Correa, pela conciliação. Mas entre Rafael Correa e Lenín Moreno, tem alguém que também festeja o resultado no Equador. É o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que mora na Embaixada do Equador em Londres desde 2012. O opositor Guillermo Lasso tinha dito que, caso fosse eleito, Assange teria 30 dias para deixar a Embaixada em Londres. Com a vitória de Moreno, o asilado Assange pediu, ironicamente, que Lasso deixe o Equador nos próximos 30 dias.

 

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