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Estados Unidos Pena de morte Prisão

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EUA: para economizar droga de injeção letal, Arkansas deve executar oito prisioneiros

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A lenta agonia de Clayton Lockett obrigou a direção da prisão a adiar a execução REUTERS/Oklahoma Department of Corrections

Depois de 12 anos sem aplicar a injeção letal em condenados à morte, o estado do Arkansas se prepara para uma série de execuções entre os dias 17 e 27 de abril. O motivo é que a data de validade de uma das substâncias usada no procedimento está chegando ao fim.


A maioria das execuções nos Estados Unidos é feita com a chamada injeção letal, que utiliza três drogas, entre elas um sedativo, o midazolan. Ele impede, em princípio, que o condenado sinta qualquer tipo de dor, como explica o correspondente da RFI em Washington, Jean-Louis Pourtet.

Depois de sedarem o preso, os agentes penitenciários administram ainda dois produtos, em injeções distintas: o brometo de pancurônio, que paralisa o diafragma e os pulmões, e o cloreto de potássio, que provoca a parada cardíaca.

No Arkansas, os estoques da droga perderão a validade antes do final do mês, o que levou as autoridades a acelerarem as execuções. De acordo com o jornal USA Today, os oito prisioneiros, todos condenados por homicídio doloso, devem ser executados nas próximas semanas – dois por dia. O governador do estado do Arkansas, Asa Hutchinson, explicou à imprensa americana que “não tinha escolha” diante da necessidade das famílias “em fazer Justiça”.

Substância é difícil de ser achada

Segundo o USA Today, o midazolan já causou problemas e existem dúvidas de que a droga funcione de fato. Um exemplo é a execução de Clayton Lockett, condenado por estupro seguido de morte, em 29 de abril de 2014, em Oklahoma. A sedação não funcionou e o preso foi tomado por convulsões, agonizando durante 40 minutos.

As prisões americanas têm dificuldade na compra de substâncias usadas nas injeções letais, principalmente depois que os laboratórios europeus, que se opõem à pena de morte, recusam fornecer o sedativo às prisões americanas.

Vários estados analisam a possibilidade de mudar de “método” para aplicar a pena de morte, como a cadeira elétrica, a câmara de gás, ou até mesmo o fuzilamento. Desde que a pena de morte foi reestabelecida no país em 1976, houve 1448 execuções, mas sua aplicação é cada vez menos popular.