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EUA: Médica pode pegar prisão perpétua por mutilação genital de crianças

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A médica Jumana Nagarwala, de 44 anos, é acusada de ter realizado cirurgias de mutilação genital em meninas de seis a oito anos de idade nos Estados Unidos. Reprodução YouTube

Uma médica do pronto-socorro de Detroit (no estado de Michigan, norte dos Estados Unidos) foi presa e acusada nesta quinta-feira (13) de realizar cirurgias de mutilação genital em meninas entre seis e oito anos de idade. Este é provavelmente o primeiro caso de um médico já indiciado nos EUA por este tipo de prática, considerada ilegal e criminosa pela lei americana.


Jumana Nagarwala, de 44 anos, é acusada de ter realizado cirurgias de mutilação genital em um consultório médico de Livonia, no subúrbio de Detroit, segundo afirmou a promotoria federal em um comunicado.

“Nagarwal é acusada de ter cometido estes atos horríveis de brutalidade em vítimas particularmente vulneráveis", declarou ainda o promotor. "O Ministério da Justiça está empenhado em acabar com a mutilação genital feminina", uma "prática que não tem lugar em uma sociedade moderna", concluiu.

Os promotores disseram ainda que duas meninas foram trazidas no início de fevereiro de Minnesota pela mãe para se submeter ao procedimento. Elas foram orientadas a não falar sobre a cirurgia. O promotor também mencionou outras meninas que foram mutiladas pela médica, especialmente entre 2005 e 2007. Questionada pelo FBI, Nagarwal negou as acusações, de acordo com fontes judiciais.

Prisão perpétua

Ela foi encarcerada, acusada nesta quinta-feira (13) por mutilação genital, transporte de menores e falso testemunho, acusações que podem fazer com que a médica passe o resto de sua vida na prisão. Uma audiência marcada para segunda-feira (17) deverá determinar se ela poderá receber liberdade condicional, afirmou uma porta-voz do FBI.

De acordo com Shelby Quast, diretor da organização Equality Now US, de Defesa da Mulher, Jumana Nagarwala é "provavelmente o primeiro médico indiciado nos Estados Unidos por este tipo de acusação”. “Alguns médicos foram investigados, mas não houve indiciamentos nem acusações formais. Outras investigações estão ainda em curso”, acrescentou.

Quast lembrou que os Centros americanos de Prevenção de Doenças (CDC) estimam que mais de 500 mil mulheres e meninas que vivem nos EUA tenham sofrido mutilação genital ou corram o risco de serem mutiladas. "A maioria delas nasceu nos Estados Unidos e muitas não possuem origem africana, onde a prática é generalizada”, afirmou Quast.

A médica Jumana Nagarwala é a primeira pessoa indiciada sob a lei federal americana contra a mutilação genital de menores, adotada em 1996. “Metade dos 50 estados dos Estados Unidos, incluindo Michigan, não possuem nenhuma lei local de prevenção e combate a este crime”, concluiu Quast.